Os desafios da paternidade múltipla

Criar trigêmeos não é fácil. Longe dos “flashes”, curiosidades e fofuras inerentes à essa condição tão diferente, existe uma situação que exige um trabalho mental incessante e desafiador. Se você se preocupa em fazer um bom trabalho nessa missão inusitada que lhe foi dada pela vida, a mistura de sentimentos bons e ruins é uma constante. Administrá-los e entender seus limites é, sem dúvidas, mais difícil do que a exigência física inerente a essa missão. E é esse trabalho mental de administração e vivência de sentimentos que acaba mudando tudo em sua vida e fazendo parte dos desafios da paternidade múltipla.

A dificuldade não se limita aos pais, de maneira direta, ou avós, de maneira indireta. As dificuldades estendem-se também às crianças. Com certeza ter um, dois ou três filhos em idades diferentes é absolutamente diferente de ter três com as mesmas idades, com as mesmas necessidades. Isso sem falar que, aqui, ainda temos mais uma em tenra idade, que também tem suas necessidades. É absolutamente diferente para os pais e para as crianças. As crianças, pequenas e inocentes, talvez não compreendam, mas não receberão o mesmo tratamento integral de uma criança única. Mesmo que os pais se esforcem o máximo que puderem, esse tratamento não será como de um criança fruto de uma gestação única. Aí, muitas vezes, está um sentimento a se administrar: o remorso, a culpa.

Desafios da paternidade

Mesmo que você saiba que está fazendo o que consegue, que está dando o melhor de si, o remorso e a culpa aparecem quando você…

– dá colo para um e os outros choram com os braços esticados pedindo sua vez;

– brinca com um e os outros querem sua atenção com outra atividade;

 deixa escapar seu nervosismo e cansaço e acaba xingando a criança por chorar (quando se fosse um só você o consolaria);

–  não pode brincar tanto quanto gostaria – e acha que deveria – com a mais velha;

– tem consciência que o estímulo que daria para a criança caso fosse única seria bem maior;

– falha na administração de sentimentos e acaba não sendo uma pessoa agradável ao convívio como gostaria de ser;

– percebe que a demora para a criação de vínculos é maior.


IMG_0397Porém, não há muito o que se possa fazer quanto a isso. O que há de ser feito é compreender que a situação é realmente diferente e que, apesar das dificuldades pelas quais todos os envolvidos – adultos e crianças – irão passar, provavelmente dessas dificuldades e ausência de privilégios nascerá união entre eles e uma força maior para encararem as situações quando adultos.

É o que esperamos. Abraço!!

6 comentários

  1. Viviane

    Adorei! Simples assim…(ou não kkk), mas só quem está na sua situação pode entender esta confusão de sentimentos

  2. veralucia faé

    Continuar fazer o que estão fazendo e é difícil mesmo dar atenção a todos ao mesmo tempo. Estando junto dá pra ver que não é nada fácil. Mas com amor e paciência tudo fica bem.Maravilhosos amo a todos.

  3. riptotal

    Parabéns pela força Maurício.
    Recentemente soube que vou ser pai de gêmeos. Já temos um príncipe de 3 anos. Para mim, está sendo muito difícil lidar com essa situação, porque o sentimento que tenho é que estou traindo meu filho. Somos muito ligados e, até agora não me vejo como posso dividir esse amor.
    Eu sei que este sentimento é muito egoísta, pq como dizem: devemos criar os filhos para o mundo. Mas, esse pensamento de dividir a atenção, carinho e tempo me assusta muito. Há medo de não dar conta.
    Esse seu post foi muito inspirador. Obrigado

  4. riptotal

    Primeiramente, parabéns pela força Maurício!
    Essa sua historia é inspiradora para mim. Recentemente, recebi a notícia que serei pai de gêmeos, e fiquei em estado de choque! Tentávamos o segundo e eis que vieram mais dois!?
    Passei algumas noites em claro, e cada vez que olhava pro meu filho de três anos, tinha vontade de chorar… Acho que o estou traindo, e que não é possível dividir o amor que sinto por ele por mais dois. Somos muito ligados, e agora? Como vou dar a atenção que ele requer?
    Esse momento, deveria ser de qualquer coisa, menos tristeza…
    Leandro

    1. Maurício Kaiser

      Olá Leandro! Primeiramente obrigado pelo carinho conosco!
      Olha, vou te dizer que sei exatamente como você está se sentindo. Eu e a Mônica, nossa filha mais velha, também somos muito ligados e ficava me sentindo culpado a todo momento que não podia dar a atenção que ela merecia depois do nascimento dos trigêmeos. Busquei nesse período todo nunca perder essa ligação e esse amor mútuo tão sensacional. E, acredite, é possível! Creio ser muito importante você continuar dando a ele essa atenção que dá atualmente. Para isso, aconselho que busque pessoas que ajudem você e sua esposa com os bebês para que o mais velho possa passar um tempo de qualidade com você conforme estava acostumado.Com certeza seu filho vai sentir que terá que dividir você com os recém chegados em muitos momentos, mas com o tempo ele irá se acostumar com a nova situação e passará a cuidar e gostar dos irmãos. Faça ele fazer parte dos cuidados com os bebês, se sentir o “irmão mais velho”, se sentir um ajudante.
      A situação de quem tem múltiplos não é simples. Mas tudo dá certo quando é feito com amor.
      Forte abraço!

  5. Muito legal Mauricio, lendo seu post consegui ver tudo o que estou passando também, Sou pai de trigêmeos de Tramandai – RS, e tenho também um filho de 6 anos, nos tentamos dar atenção para ele, só que é muito difícil dar a atenção desejada, porque sempre tem um bebe chorando ou sempre, tem que fazer algo, meu menino mudou muito depois que ps tri nascerarem, fazem 1 mês que os meninos nasceram, e ele morre de ciumes!! Abraço!!

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