Quando a realidade não é como idealizamos…

Minha sobrinha Cristina nasceu no dia 2 de outubro, há 33 dias. Desde então, tenho esperado o melhor momento para contar como minha irmã está se saindo como nova mamãe e como tem sido a rotina dela com um bebê pequeno. Minha irmã já é tia de oito sobrinhos, quatro são os meus filhos e ela ainda tem mais quatro sobrinhos por parte do marido. Experiência trocando fraldas, dando banho, brincando e se divertindo com crianças ela tinha de sobra, mas quem disse que é fácil tornar-se mãe e que as coisas são como idealizamos?

Durante a gestação ela se preparou para o parto normal. Procurou a médica ideal, que apoiasse sua decisão, e encontrou uma profissional perfeita (e que atendia pelo plano, pasmem!). Durante muitos meses ela fez hidroginástica e outros exercícios para reforçar o assoalho pélvico. Esperou as 40 semanas e, felizmente, com 40 semanas e 3 dias, entrou em trabalho de parto. Com muitas dores das contrações, deu entrada na maternidade na madrugada da quinta-feira dia 1° de outubro. Mas foi mandada para casa porque era “alarme falso”. Passou um dia inteiro contando a distância entre uma contração e outra e, quando achou que estava na hora, voltou para a maternidade, já com três centímetros de dilatação.

As contrações diminuíram o intervalo, ela estava com 5 centímetros de dilatação (para o parto precisa de 10cm), tudo dando certo até que… O trabalho de parto simplesmente involuiu. Estacionou aí. A nenê fazia força para cima, não vinha, não encaixava. Minha irmã, que já não suportava as dores, pediu a anestesia peridural. Após a anestesia já estava com 7cm de dilatação, mas a nenê ainda estava “lá em cima”. Então a obstetra resolveu estourar a bolsa pra ver se ela descia. Ficou um tempão tentando, com a ajuda da médica. Estouraram a bolsa e aí veio o mecônio (fezes que o bebê pode excretar ainda na barriga; a existência de mecônio pode indicar sofrimento fetal). Passou-se meia hora e os batimentos cardíacos da bebê começaram a apresentar queda. Depois de todas as chances que teve para ela encaixar e vir ao mundo via parto normal, concluiu-se que realmente não ia rolar. “Cesárea” foi o que a médica disse. Cesárea? Minha irmã não queria de jeito nenhum. Não havia se preparado psicologicamente para recuperar-se de uma cesárea. Tinha certeza que não faria. Não queria. Ficou arrasada.

Como o efeito da anestesia estava passando e ela estava voltando a sentir as contrações (desta vez muito mais super mega doloridas), concordou em fazer a cesárea. As circunstâncias do momento fizeram a equipe médica decidir por ela. A nenê nasceu bem, aspiraram o mecônio antes de ela chorar. Deu tudo certo, apesar dos pesares. Cristina nasceu com quase 3 quilos e 48cm. Uma belezinha. Coisa querida de sua dinda (eu)!

como idealizamos

As manas com a Cristininha um dia depois do parto.

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Coisa querida de nenê fofinho.

Quando as coisas não são como idealizamos 

Dizem que foi porque minha irmã entrou em trabalho de parto que logo depois da cesárea ela já tinha colostro. O leite desceu em 3 dias. Tudo indo bem, perfeito. Até que… o leite empedrou. Ela precisou ir ao hospital para tirar o leite empedrado porque a nenê não conseguia mamar. Aproveitou para aprender algumas dicas de amamentação com as enfermeiras. Mas, em casa, não saía nada com a bombinha. A nenê só sugava e chorava. Um verdadeiro desespero! Chegou o dia da pesagem na pediatra e a pobrezinha da Cristina estava pesando o mínimo, quase fora da curva. Minha irmã estava um caco. Preocupação a mil e eu aqui a quilômetros de distância delas, sem poder ajudar.

“Tô me sentindo péssima! Já não pude ter o parto normal, agora não consigo amamentar! Isso é muito frustrante!”, palavras de minha irmã via mensagem no meu celular. Eu entendo a frustração dela, mas isso só me faz lembrar de uma coisa que, certa vez, uma psicóloga me disse: temos que aprender a entender a diferença entre o que imaginamos durante a gestação e a nossa realidade. Muitas vezes criamos expectativas irreais sobre nossos filhos ou sobre nosso parto e elas simplesmente não acontecem ou não são possíveis. Essa psicóloga me disse isso quando tive a Mônica, porque eu imaginava um bebê ruivo e Mônica nasceu morena. Imagina o que ela me diria depois de saber que planejei um filho e vieram trigêmeos?

A realidade não é como idealizamos

Eu tive três filhos ao mesmo tempo. Gerei três ao mesmo tempo na mesma barriga. Depois de um parto prematuro (coisa que mãe nenhuma deseja), tive que ir embora do hospital sem nenhum nenê no colo. Tive que deixar, por 14 noites seguidas, meus tesouros sob os cuidados de desconhecidos, dentro de um hospital que, apesar de ficar próximo à minha casa, me parecia estar à quilômetros de distância. Apesar de amamentar no peito por seis meses, tive que complementar com fórmula cada dia mais porque, afinal, não dava conta de produzir leite para o meu pequeno batalhão. De frustração eu entendo.

Mas sabe porquê estou dizendo tudo isso? Porque, apesar de tudo, acho que a gente tem que se acalmar e dar tempo ao tempo. Não queria fazer cesárea, paciência, foi preciso. Não está conseguindo amamentar? Calma, tenta. Paciência. Eu aprendi que a realidade é diferente de como idealizamos. Eu me conformei que nada pode ser planejado nessa vida. Aprendi que, depois que as coisas se acalmam, no fim das contas, a realidade é melhor do que aquilo que a gente idealizava. E como isso é bom! Porque podemos, também, ser surpreendidos positivamente, sabiam?

A conclusão da pediatra e da obstetra é que minha irmã está quase sem leite. Receitaram um remédio para ela, que está tomando e torcendo para vir mais. Minha irmã se recusa a dar fórmula até ter tentado tudo que estiver a seu alcance. Vamos cruzar nossos dedinhos para que dê certo. Mas, mesmo que não dê, vamos torcer para que, daqui a algum tempo, ela lembre dessa fase apenas como “olha tudo que eu fiz pelo bem da minha filha”.

como idealizamos

Cristina com a mamãe Marina.

Até mais!

17 comentários

  1. Carol

    Força, mamãe Marina!

  2. Que pena da Marina, desejo qué tudo corra bem com o bebê e ela, difícil mesmo idealizar uma coisa e tudo sair ao contrário, mas temos que pensar que o importante é que o bebê fique bem e cresça saudável. Estou torcendo por vcs. Bjs

  3. Thuanne Magalhães

    Acredito que não tenha nada mais frustante do que idealizar a gravidez e pós de um jeito e acontecer de outro. Mas tenho em mente que pra tudo existe um propósito de Deus e que Ele não nos desampara nunca. Deus não dá o que queremos e sim o que precisamos. Desejo que, com a vontade de Deus, seu leite jorre e possa realizar seu sonho, mas se isso não acontecer, não fique triste. Cristina sempre sentirá orgulho de você. Minha mãe também não conseguiu me amamentar muito (desde a maternidade já intercalava com fórmula), e mesmo assim sinto muito orgulho dela. E olha que ela também não teve passagem pra um parto normal. Muito amor, alegria e paz pra sua família, Marina.

  4. Catia

    Idealizamos muito mesmo, sonhamos… hoje entendo que nada é por acaso, e sempre acontece tudo exatamente como tem que acontecer. Sonhava em poder amamentar tb, não pude, me frustrei, chorava, tive depressão, e hoje vejo que não me sento menos mãe por isso. Ela vai superar, e depois, como eu, olhando para o rostinho do nosso filho, sentirenremos, que mesmo com os percalços, tudo valeu a pena.

  5. Realmente existe diferença entre o que planejamos e o que realmente acontece.
    Sobre essa frustração de não amamentar eu entendo, e modestia parte quase domino, porque aqui foi uma verdadeira guerra.
    Espero que tudo se ajeite o mais breve possível e tua irmã consiga amamentar com sucesso a pequena Cristina. <3 Saúde e felicidade para elas 🙂

    1. Michele Kaiser

      Obrigada pelo carinho comigo e com minha irmã! Bjs!

  6. Jaqueline

    Michelle,

    Eu sou gestante de 7 meses, como sua irmã quero muito amamentar e na minha família não tem histórico de vaca leiteira, então estou me preparando para as possibilidades que me ajudarão a conseguir issso…
    Li muito e uma técnica que vi e ja comprei como parte do enxoval foi sonda nasogastrica número 4… técnica de relactacao, dizem que dá certo até com mães adotivas, que o leite desce…
    Ve no you tube, vou te mandar um link… estou com fé que me ajudara se eu precisar…

    1. Michelle,

      A quantidade de leite não é genética. Não se preocupe com isso!
      Torcendo apra dar tudo certo

      1. Michele Kaiser

        Também estou torcendo!! Beijos!

  7. Jaqueline

    https://youtu.be/2by7LamGtVY

    Tenta falar para ela dos benefícios da fórmula, para não correr o risco da glicose da bb não cair…

  8. Luana Freitas

    Olá, Michele!
    Vejo e revejo o seu blog a algum tempo e hoje vi também alguns vídeos de vocês no youtube, como o do banho dos meninos, eles e a irmã brincando e o da apresentação da Mônica(e que forma mais perfeita de apresentar, junto com o presente) a eles… e queria te dizer, que lindo, que mãe, te admiro tanto, tenho orgulho de ser mulher ao ver a maneira como tu trata e encara tudo.
    Claro, eu sei que nem tudo são flores, mas teu jardim tá lindo! Tua maneira de lidar com as situações, teu cuidado com os teus filhos(que pra mim, não, nem toda mãe cuida)todo o jeito de vocês terem batido no peito e feito valer, e como valeu, tu tem príncipes e princesa em casa… Parabéns!
    E todos são liiiindos! Um grande beijo!

    1. Michele Kaiser

      Muito obrigada pelo teu carinho com a gente, Luana! Fiquei muito feliz com a sua mensagem. Amo muito meus filhos e meu jardim é, sim, lindo! Obrigada por nos acompanhar! Beijos.

  9. Cheila

    oiii..
    acompanho seu blog há algum tempo e adoro.
    Lendo o inicio do texto me identifiquei demais. Também entrei em trabalho de parto, não tive dilatação, a bebê fez mecônio e decidimos pela cesária. Também tinha muita dor das contrações. Sim eu queria saber como era ter parto normal, mas já que não deu, paciência. Eu não me arrependo de ter feito cesária, a recuperação foi ótima e não sou menos mãe por isso. Tive pouco leite e com 3 meses comecei a complementar e como 6 meses na volta ao trabalho o leite foi diminuindo até secar.. Sim eu queria ter amamentado mais.. na verdade queria ter curtido mais. era muita tensão, compromisso medo de falhar que acabei não curtindo essa fase tanto quando gostaria.. Enfim, hoje minha Joana está com 9 meses, super saudável, perna grossa, engatinhando pela casa toda e louca pra caminhar.. Nosso tesouro.. Nem sempre se preocupar tanto com o certo faz as coisas darem certo não é!!! Abraço pra essa família linda…. Ah tmb sou aqui do sul tá, cidade de Portão-RS..

    1. Michele Kaiser

      Oi, Cheila!! Mais uma demonstração que as coisas nem sempre saem como idealizamos, mas nem por isso resultam em coisas negativas! Parabéns pela Joana! Coisa gostosa coxa grossa de bebê! Beijos!

  10. Livyn

    Adoro suas postagens! Seus filhos são lindos! Mas você foi ao psicólogo porque a Monica nasceu morena? Ou teve mais motivos? Não quero julgar longe de mim, é que fiquei intrigada

    1. Michele Kaiser

      Obrigada pelo carinho! Hehehehe, não fui por causa disso, não! Eu fazia acompanhamento e parei perto de ela nascer. Aí quando ela tinha uns 3 meses eu voltei. Foi quando tive essa conversa com a psicóloga. Mas aí parei de novo. Quando tive os meninos, pensei em voltar. Mas os custos com 4 filhos eram tão grandes que desisti. O plano cobria uma por mês só, e a minha não atendia mais o plano. Beijos!

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