Malditos celulares

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Quatro crianças brincando em casa com pecinhas de montar, quebra-cabeça, dominó gigante, etc. A mamãe chega do trabalho, abre a porta, se abaixa à altura deles, abre os braços para receber um abraço feliz e todos vêm correndo… Qual o problema nessa cena? Os quatro vêm correndo e gritando “celular da mãe”!! Começa a briga.

Quando meus filhos eram bebês e eu os pegava no colo, eles vinham procurando o seio para mamar. Eu brincava que, para eles, eu era uma grande fábrica de laticínios. Pois hoje, dois anos após terem largado o peito, eles me vêem e só pensam no meu celular. Pior, eles me vêem como “a guardiã do celular”, aquela que regula o celular. Não querem nem saber, querem o celular e pronto.

Aí penso: maldita hora que emprestei a primeira vez. Maldito dia que coloquei um videozinho inofensivo no You Tube para eles verem. Maldito vício que esses pequenos seres humanos já têm. Mas peraí… maldito vício deles? Mas e o nosso?

Todos os dias, passamos horas nos nossos celulares e tablets navegando na internet, especialmente nas redes sociais. Todo o santo dia, diversas vezes por dia, abro meu whats, dou uma olhadinha no instagram, depois no face, depois no snapchat, depois no You Tube. Não necessariamente nessa ordem. Meus filhos não seguem o que eu digo para fazer ou não fazer. Eles seguem meu exemplo. O celular da mamãe deve ser muito legal porque ela não larga aquele negócio!

Tenho tentado mudar o foco deles, oferecendo mais de mim e do meu tempo livre a eles. Tenho tentado brincar mais com eles, oferecendo oportunidades de aprenderem coisas diferentes com livrinhos e bonequinhos. Mesmo quando ganham o celular, tenho tentado controlar para que brinquem nos jogos educativos que baixei e não fiquem só vendo vídeos aleatórios. Porque além de ficarem hipnotizados com os vídeos, eles ainda brigam pelo aparelho. Eu tenho uns celulares antigos aqui que algumas pessoas da família nos deram depois de terem adquirido aparelhos melhores. Eles têm joguinhos e conectam a wifi. Mas os meninos não querem aqueles. Eles querem o celular da mãe e o celular do pai, que são melhores. Desde já eles sabem que o legal é aquele que a gente está usando.

O resultado disso tudo é que claro, estamos tendo mais trabalho. Dar atenção a eles para tirar o foco dos eletrônicos têm deixado a gente com menos tempo para olhar os nossos próprios celulares. Nosso vício também tem que diminuir para que possamos fazer o deles diminuir. O resultado disso é muito positivo: temos passado mais tempo de qualidade juntos.

Ontem peguei um quebra-cabeça até meio avançado para a idade deles. Eles têm 2 anos e 9 meses e o quebra-cabeça era para maiores de 4 anos. Eu convidei eles para montarem assim bem empolgada: “Vamos montar um quebra-cabeça??? Vamos? Vamos?”, aí eles perceberam que só podia ser uma coisa muito legal. Hehehe. Desviramos as peças e montamos e brincamos. Eles não conseguiam sozinhos, mas a mana ajudava e a mamãe dizia para eles irem procurando o rostinho dos personagens (era do Frozen) que a gente ia montando juntos. Quando concluíram a tarefa, eles ficaram muito felizes. Repetiram o nome de todos os personagens diversas vezes e quiseram montar tudo de novo. Nem acreditei que ficamos tanto tempo em uma mesma atividade!

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Bem, esse tem sido um dos motivos para eu estar um pouco ausente de minhas redes sociais e até aqui do blog. Tenho tentado acessá-los somente quando estou na minha sala de aula nos intervalos das aulas e tenho tentado não mais tocar no celular em casa. Ainda deixo os quatro brincarem com os celulares, mas geralmente à noite, quando vão deitar em suas caminhas. A gente deixa eles assistindo uns 10 minutos deitadinhos e aí eles vão também ficando com sono. Isso acontece entre 21h e 21h30. Depois o papai troca o celular pela mamadeira. Eles tomam, entregam a mamadeira vazia e dormem, geralmente sem reclamar.

A Mônica nunca foi muito ligada no celular. Como ela é dois anos mais velha do que eles, penso que também tem a ver com o nosso vício, que não existia até pouco tempo atrás. Ela gosta de assistir os canais infantis na TV e de jogar um joguinho no tablet, mas o que ela mais gosta mesmo e de brincar com as bonecas e fazer suas historinhas. Ela é muito imaginativa e criativa.

Assim como a mana, o Matheus não é assim tão ligado nos aparelhos. Ele quer porque vê os outros mas raramente parte dele a ideia. Ele curte, assim como ela, brincar com bonequinhos. O lado bom do celular é que os meninos, quem sabe, vão trabalhar com as profissões do futuro. Fico impressionada como Murilo e Marcelo desbloqueiam a tela, entram nos aplicativos que querem e ainda encontram seus vídeos favoritos sozinhos.

Até mais!

6 comentários

  1. Eduarda

    Michele, meu filho tem 2 anos e 7 meses e sofro com o mesmo problema em casa, logo quando chego em casa ele pede meu celular, e só pode ser o celular da mamãe.. mas a birra maior é na hora de dormir pq ele luta contra o sono pra assistir mais um desenho, e por mais que combinamos que na hora de dormir só pode assistir 2 desenhos ele chora muito. É dificil, mas é o preço que pagamos por viver na era da tecnologia.. e nao se desespere pq vc não esta sozinha nessa situação, e eu também me culpo por ter inserido essa tecnologia na vida dele, pois fui eu que mostrei que tinha desenho no youtube (e também me impressiono com a facilidade que ele acessa os apps). Beijos nas suas 4 preciosidades!! Até mais.

    1. Michele Kaiser

      Difícil mesmo, né? Demanda muito jogo de cintura! obrigada pelo apoio! Um beijo!

  2. Nelson

    Todos os pais estão pasando por isso, mas ainda quem mandam devem ser os pais, ponto final.
    Três anos! Que bonitinho.
    Com seis, preocupante.
    Com dez, ninguém segura.
    Adolescente, nem matando, porque é isso que vão fazer com os pais se tirarem.

    1. Michele Kaiser

      Difícil lidar radicalmente com o problema, Nelson. Tenho tentado desviar a atenção deles para outra coisa. O contato de todos os seres humanos com a tecnologia é tão grande que fica difícil deixar eles 100% longe. Quem dera pudéssemos voltar no tempo e viver brincando na rua, com os amigos, em segurança. Abraço!

  3. Maria Luísa

    eu adorei esse blog eu sou novata mais eu adorei os trigêmeos da Mchele.

    1. Michele Kaiser

      Que legal, Maria Luísa. Bem-vinda!

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