Leite: saquinho, garrafa ou caixinha?

leite: saquinho, garrafa ou caixinhaSaquinho, garrafa ou caixinha? A polêmica do leite me parece estar longe de acabar. Tudo começou com a questão da lactose. Muita gente parou de beber leite em função de achar que a lactose atrapalha o processo de emagrecimento, que é prejudicial à saúde, etc. Mas o que fazer com as crianças? Criança precisa parar de tomar leite? Não. Criança necessariamente precisa tomar leite? Não. Vamos por partes!

Em primeiro lugar, quero registrar aqui que tudo muda o tempo todo no mundo da Nutrição. As pesquisas estão em ritmo acelerado e a cada pouco aparece uma novidade. Por isso, eu sempre penso muito antes de dizer qualquer coisa e estudo muito também, o que me faz mudar de ideia de vez em quando. Então pode ser que as coisas mudem bastante nos próximos meses ou anos, por isso devemos nos atualizar sempre!

Devemos consumir leite?

Eu considero o leite de vaca um alimento extremamente saudável. Esse alimento apresenta proteína de alto valor biológico (diferente da proteína dos vegetais, como a do feijão*), é fonte de cálcio, vitamina A, vitaminas do complexo B, fósforo, potássio, e outros nutrientes. Só vejo vantagens no consumo de leite de verdade, a não ser que a pessoa apresente alergia ou intolerância.

*O feijão aqui é apenas um exemplo, embora a sua proteína não seja de alto valor biológico, é um alimento extremamente saudável e importante.

Eu disse LEITE DE VERDADE. O que isso significa? É o leite que vem da vaca mesmo, de um sítio, fazenda. É o leite de antigamente. Que as pessoas ordenhavam para o próprio consumo, ou que se comprava de um pequeno produtor em galões ou garrafas.leite: saquinho, garrafa ou caixinha

Infelizmente, praticamente ninguém mais tem acesso a esse leite de verdade na área urbana.. Agora estamos à mercê dos produtos industrializados. No caso do leite, encontramos em caixinha, saquinho ou garrafa.

Qual tipo você compra na sua casa? Entenda: Os leites que compramos atualmente precisam passar por processos industriais, a fim de que sejam seguros para o consumidor. Para isso, a indústria usa dois tipos de processos: pasteurização ou ultrapasteurização.

Processo de pasteurização do leite

O leite pasteurizado

Comumente vendido em saquinho ou garrafas de plástico, é filtrado e aquecido a uma temperatura em torno de 70ºC, que mata micro-organismos nocivos (prejudiciais) à saúde, mas mantém as bactérias que fazem bem à digestão, como os lactobacilos.

Segundo a Associação Gaúcha de Nutrição, o leite é aquecido apenas para “matar” a carga bacteriana, mas preserva as características positivas.

Esse tipo de processo faz o leite se tornar seguro para o consumo, em um prazo de validade menor que o leite UHT (ultraprocessado), por isso deve ser conservado refrigerado ainda fechado.

O leite UHT (ultrapasteurizado)

É comumente vendido em caixinhas revestidas de alumínio (do tipo Tetra Pak). Passa por um processo de aquecimento também, mas a temperatura é praticamente o dobro, em torno de 130ºC.

Isso faz com que sejam eliminados todos os micro-organismos, inclusive aqueles que são saudáveis. Além disso, com essa temperatura ocorre uma perda bem maior de nutrientes. Outra situação importante: ele dura muito mais que o leite de saquinho/garrafa.

Em primeiro lugar porque “todas” as bactérias já foram eliminadas na ultrapausterização e, em segundo lugar, porque ele tem uma quantidade maior de conservantes e estabilizantes, por isso é chamado de “leite longa vida”.

Ele pode ficar meses nas prateleiras do supermercado sem estragar. O alumínio da embalagem ajuda a manter o leite seguro, torna a sua vida útil maior. Alguns estudos mostram os malefícios do alumínio para a saúde humana.

Boa parte dos alimentos industrializados são vendidos em embalagens revestidas de alumínio, pois esse material protege o alimento da luz, aumentando a sua durabilidade. A exposição humana ao alumínio está relacionada ao desenvolvimento de doenças crônicas, incluindo doenças ósseas, câncer e doenças neurodegenerativas como o Mal de Alzheimer.

Por isso devemos evitar ao máximo o consumo de alimentos industrializados. Estes, por sua vez, são prejudiciais por uma série de razões, incluindo a presença do alumínio nas embalagens (como alimentos enlatados, salgadinhos, biscoito recheado, etc…).

Leia também: Podemos substituir leite de vaca por leite vegetal?

Que tipo de leite podemos consumir?

Há ainda uma situação que me deixa muito triste, mas não posso deixar de mencionar: a adulteração do leite. Certamente você já viu na televisão e nos jornais que muitas empresas estavam ou estão (quem sabe?) adulterando o leite, na intenção de lucrar mais.

Diversas substâncias já foram encontradas no leite, como: ureia, soda cáustica, água oxigenada e cal. Isso é um absurdo, a que ponto chegamos? Isso é o me deixa na dúvida sobre consumir o leite, não tem nada a ver com a lactose.

Eu tenho medo do que realmente tem dentro daquele saquinho ou caixinha. Se fosse só o leite mesmo, eu diria: consuma o leite de saquinho ou garrafa – e não o leite de caixinha, que é mais industrializado.

Consumindo o leite em pó, evitamos boa parte da adulteração, mas aí tem a questão do processo de industrialização (onde se perdem nutrientes) e do alumínio.

O que fazer, então? Parece um beco sem saída, certo?

Infelizmente é mesmo. saquinho, garrafa ou caixinha - brócolisRecomendo então que seja utilizado de vez em quando o leite de saquinho ou de garrafa, evitando o de caixinha.

Procure por marcas que não tenham tido problemas com a fiscalização. Nos sites de busca da internet você encontra as informações sobre os escândalos das empresas.

E invista em outros alimentos que também são ricos em proteínas de alto valor biológico, como as carnes e ovos. Além de consumir produtos ricos em cálcio como o brócolis, gergelim, sardinha, couve, etc.

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Varie muito os alimentos que você e sua família consome, eu penso que essa é maior forma de comer com segurança e alegria!

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foto NataliaA nutricionista e coach Natalia Stedile é especialista em Nutrição Clínica e Estética (2011) e em Nutrição Clínica Personalizada (2012). Mestra em Biotecnologia (2014). Atualmente é nutricionista clínica e professora no curso graduação em Nutrição na Faculdade da Serra Gaúcha. Tem experiência na área de nutrição e saúde coletiva, com ênfase em atendimento clínico, atuando principalmente nos seguintes temas: obesidade, doenças crônicas não transmissíveis, reeducação alimentar e comportamento alimentar. Aqui no blog, escreve textos com dicas sobre nutrição infantil.

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