O dia em que meu marido me salvou

Mãe não deveria ficar doente, mas foi assim que amanheci: dor de garganta, tosse seca, rinite incrivelmente atacada e praticamente sem voz. Professora sem voz é meio difícil de dar aula, não é? Mas eu simplesmente odeio cancelar meus compromissos.

Matheus, Marcelo e Mônica vêm apresentando tosse e febrícola de 37,5°C há cerca de 3 dias. A gente vem prestando atenção e medicando, culpando isso ao fato de agora estarem na escola. Mas mamãe não ficava doente há muito tempo. Como mãe não se rende, trabalhei e, bravamente, levei meus filhos à escola.

Ao buscar, no fim da tarde, sentia-me como se um trator tivesse me atropelado. Cheguei em cima da hora na escola para buscar, sozinha, as quatro crianças. Mas faço isso de segunda a quinta-feira sem maiores problemas. Apenas na sexta meu marido me acompanha. Preciso reconhecer que tudo se torna bem mais fácil quando ele vai junto. Por razões óbvias.

Pois eis que hoje, já com a energia esgotada devido ao resfriado que me acometeu, passo pelo mais difícil dos dias. Matheus, parece que percebendo que eu não estava em meu melhor, resolve fazer uma birra assombrosa. Sabe aquela cena de criança gritando que a gente condena antes de ser mãe e, depois de ser mãe, se solidariza com a coitada que está passando por aquilo? Pois é. Essa birra aí mesmo.

O danadinho resolveu pedir colo. Logo para mim, mãe de trigêmeos e mais uma. Isso aí. Ele queria ser levado no colo. Imagina eu lá sozinha, precisando levar quatro mochilas, minha bolsa (porque não deixo a bendita em casa?) e quatro crianças. Sem voz, porque tinha gastado o resto dela na aula que tinha acabado de terminar. Sem poder explicar nitidamente para o guri que não tinha como ele vir no colo e eu dar conta do resto. Um verdadeiro berreiro.

Tentando levar para casa

Para conseguir vir para casa, decidi dar as mãos para Marcelo e Murilo. Mônica veio caminhando ao lado, me ajudando (como sempre). Matheus ficou para trás, sapateando, e eu resolvi fingir que o deixaria na escola se ele não viesse. Geralmente funciona. Andamos cerca de 50 metros dentro do pátio da escola. Só que para aumentar o fiasco, ele resolveu me puxar pelo casaco! Mesmo trazendo a mochila junto, ele me puxava tão forte que eu praticamente não conseguia caminhar com os outros dois.

Envergonhada, percebi diversas pessoas nos olhando. Afinal, neste momento eu estava trancando o caminho de saída da escola. Os olhares iam de pena à reprovação. Algumas pessoas sorriam para mim, elogiavam o comportamento prestativo da Mônica. Mas outras pessoas me olhavam críticas. Não sei se estavam achando muito feia a birra dele ou se achavam que eu não estava fazendo bem em buscá-los sozinha. Outras faziam cara feia por eu estar atrapalhando a passagem. Parece que os pensamentos das pessoas iam de “coitadinha dessa mãe, que filho mal educado”. Até “coitadinho desse menino, olha o que a mãe está fazendo com ele!”. E eu? Morta de vergonha e louca para dar uma de avestruz e enfiar minha cabeça em um buraco.

Resolvi desistir de lutar contra o menino. Puxei minha filharada para um canto, me abaixei (com uma dor de cabeça do cão) e tentei explicar novamente aquele velho mantra: “a mamãe é só uma!”. Queridinho. Eu disse que não dava para levar só ele no colo, infelizmente. O que ia fazer com os outros? Foi nesse momento que, como se todas as minhas preces fossem ser atendidas, vi de longe um anjo. Um homem vindo em minha direção. Cabelo castanho e olhos verdes. Meu santo marido.

Por um mero acaso, ele havia se liberado antes do trabalho e, como se adivinhasse que eu estava passando um trabalho danado, resolveu nos encontrar na escola. Meu salvador chegou, pegou todos os materiais, organizou as crianças e eu pude pegar o Matheus no colo. Tudo que o pobrezinho precisava era um chamego, ainda estava meio dodoi. Pensa que eu estava negando carinho porque queria? Não sou megera, não (risos).

meu marido me salvou

Murilo e Matheus (no colo).

Saí com um filho no colo e outro de mão. Fiquei contente em não ter que dirigir. Cheguei em casa e vi que eu estava com febre! O mal estar não era em vão. Demos janta para as crianças, colocamos dormir e eu vim escrever sobre isso! Agora mamãe precisa descansar.

Bom, que mãe não devia ficar doente todo mundo concorda. Mas a gente também pensa: “antes eu do que meu filho”. Certo? Qualquer mãe trocaria qualquer coisa pela saúde de seus filhos. Até aquelas mães que me olharam atravessado hoje, na saída do colégio. Até mais!

Leia também: Porque me sinto uma péssima mãe.

3 comentários

  1. ainda bem que seu marido foi te ajudar por acaso hein que situação tento imaginar as cenas.

  2. Leila

    Oi Monica. Isso acontece comigo tambem. Tenho trigêmeos de dois anos e começaram na escola este ano. Desde que começaram passo por isso, bem como o fato de só ter dois braços e todos quererem uma mão exclusiva pra si. É uma luta. E as pessoas olham mesmo..até que um dia eu pensei: “ah, tou nem aih pra o que tão pensando, pq só sabe o que é cuidar de trigêmeos quem tem!” Por coincidência, essa semana também estou doente. Eu e eles. Todos querem colo ao mesmo tempo. E pior fica quando você também está doente, pq vc não tem como repousar. E, no meu caso, agrava-se ao fato de não ter família (uma vó) por perto, pra ajudar. Mas é assim mesmo. Melhoras pra vc. Um beijo. Leila

  3. Leila

    Aih, desculpa. Quis dizer “Michele”. Confundi com a sua filha lindona, Moniquinha. bj

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