Por que as mães exigem mais das meninas?

Sou mãe de uma menina e de três meninos. Já há algum tempo eu escuto brincadeiras de outras mães, que me dizem: “nossa, você vai ter três noras!”. Embora eu ache graça dessa história de ter três noras, me pergunto diversas vezes por que as mães temem as noras? Por que as mães exigem mais das meninas? Por que as mães exigem muito mais das filhas do que dos filhos?

Esta manhã, me deparei com uma situação inusitada que me fez pensar. Depois da aula de natação da minha filha, todas as mães levaram seus filhos para o vestiário para o banho. A turminha dela tem crianças de 5 a 8 anos, meninos e meninas praticamente na mesma proporção. Enquanto eu dava banho e arrumava a Mônica, percebi que diversas mães de meninos estavam simplesmente arrumando seus filhos. Deram banho, ajudaram a lavar os cabelos e depois secaram e colocaram as roupas. Mas notei que as mães das meninas tinham um comportamento diferente com elas. As mães de meninas, que eram da mesma idade dos meninos, diziam para elas que “elas já eram grandes”, e que “precisavam aprender a se virar sozinhas”.

Aquilo tudo me fez pensar: por que será que dizemos isso para nossas meninas? Por que sempre achamos que elas precisam amadurecer antes dos meninos? Eu posso estar enganada. Você, lendo esse texto, pode achar que isso que estou dizendo não tem nenhum cabimento. Mas, como mãe de menina e de meninos, sinto que existe, sim, uma conduta diferenciada. É como se as mães criassem os meninos preparando-os para serem cuidados por outras mulheres (futuras esposas). E criassem as meninas para cuidarem de seus homens (futuros maridos). Uma coisa antiga, porém ainda estagnada no nosso inconsciente feminino?

Mães exigem mais das filhas

Será que o relacionamento de competição entre mulheres já está presente desde a infância? Ou será que as mães são mais duras com as meninas porque querem prepará-las para a vida, sabendo que sempre terão que buscar mais reconhecimento – na profissão, por exemplo – do que os meninos?

As próprias mães, inconscientemente, acabam agindo de maneira a reproduzir alguns conceitos machistas. Por mais que queiramos educar nossas meninas para estarem preparadas para a natural distinção de sexos (que tememos que sofrerão), acabamos reforçando, assim, alguns estereótipos na criação de meninos e meninas.

Porém, nunca se pode julgar um caso isolado. Ainda falando sobre as mães da escola de natação, dá para perceber que as meninas são tratadas com carinho, porém com mais rigidez. Certa vez, li um estudo que dizia que as filhas de mães mais rígidas mostraram, na vida adulta, maior sucesso profissional. Ainda assim, acredito que temos que tratar nossas crianças como crianças. Orientá-las para que aprendam a exercitar pequenas tarefas com autonomia, mas sempre respeitando a idade. Afinal, é tão bom cuidar e arrumar e abraçar e dar colinho a nossos filhos.

A infância passa tão rapidamente que, quando menos percebemos, nossos filhos cresceram e já estão fazendo as coisas sozinhos. Aí teremos saudades da época em que éramos nós que dávamos o banho, secávamos e arrumávamos nossos pequenos. Sejam meninos ou meninas. Até mais!

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6 comentários

  1. Michelle

    Ola Michele. Concordo com você. Sou mãe de dois meninos e acho sim que criar meninos é mais fácil. A vida é mais fácil para os meninos. As meninas são exigidas desde muito cedo a ter certas condutas como por exemplo, a sentar-se direito, de perninhas fechadas, a não se pindurar em árvore porque está de saia, o cabelo tem que ser penteado impecável etc. Os meninos, às vezes, nem penteamos os cabelos e está tudo certo. Eles brincam mais a vontade.

    1. Michele Kaiser

      É, isso tem muito a ver. É mais perceptível quando a gente tem filhos meninos meninas. Um beijo!

  2. Tábata Cristiane

    Tenho um sobrinho de 6 anos e duas (gêmeas) de 5 anos. E muitas coisas elas (as gêmeas) foram ensinadas primeiro. Tirar a roupa, por exemplo. Enquanto minha irmã, mãe do menino ainda tirava a roupa dele. Não sei se a intenção era ensinar as meninas para “diminuir” o trabalho, mas acontecia…

    Talvez aconteça essas coisas sem intenção, mas de fato existe essa diferenciação de exigir mais das meninas…

    É bom ter esse olhar e poder, tudo ao seu tempo, ensinar. Digo assim… Para os meninos não ficarem rapazes folgados. Pq na maioria das vezes ensinamos a filha a lavar louça, mas a mãe lava a louça para o filho.

    Sou mãe de menino, vou tentar ensina-lo a ser um homem que ajuda em casa para no futuro ajudar a sua esposa dentro de casa. E orar que eu tenha uma nora de boa. Rs

    Bjs

  3. Helen

    Ótima reflexão Michele. Creio que as coisas são tão enraizadas dentro de nós que as reproduzimos depois sem perceber. É como a estória da mulher que cozinhava na panela de barro porque sua mãe, avó, bisa também cozinhavam. Deixa eu lhe contar uma estória verídica sem dar nome aos bois. A casou-se com B e ambos foram morar próximos da sogra, certo dia enquanto A fazia o jantar sua sogra entrou em sua casa sem pedir licença e foi direto ao quarto do casal desconfiada A seguiu a sogra e viu que a mesma estava mexendo em seu guarda roupa. “Dona F o que a srª esta fazendo?“ – Indagou A. “Arrumando as roupas de serviço do B. Ele trabalha amanhã e tem que passar a roupa e…“ – Neste momento A lhe interrompeu: “Dona F ele tem mãos.“
    Detalhe que B já tinha lá seus 30 e poucos anos. Acho lindo mães e pais cuidarem do(a)s filho(a)s, mas também acho bom proporcionar a independência de meninos e meninas, afinal ambos por mil razões um dia podem ter que se virar sozinhos, tanto para ganhar seu sustento quanto para fritar um ovo.
    Amar também é proporcionar a independência do outro, seja menino ou menina. 🙂

  4. Bruno

    Bom Michele, se as mulheres exigem das filhas, os homens são “duros” com os meninos e amam as meninas. Penso que a educação deveria ser mais imparcial e não sexista (ter em casa igualdade de gênero). Daí que vem o ciúmes, intrgas e abandonos familiares. Conheci um caso que a mulher faleceu, e deixou um filho de 10 anos e a filha de 6 anos. Quem assumiu a guarda dos 2 foi o pai das crianças. Mas tudo foi dado para a filha e quase nada para o filho, no qual esse pai foi ausente e autoritário. A ponto de até “favorecer” o estudo da filha, que virou engenheira, sob o palpite das cunhadas e dos irmãos dele. Uma parte da educação da filha foi confiada a sua tia materna,
    e essa tia a orientou a ficar contra o irmão. Mas o filho se “rebelou” com o pai e a tia, se formou técnico e virou administrador. O pai inconformado, abandou sua casa, com a filha. E o filho administrador cuida de tudo desta casa, incluído os serviços domésticos.

    1. Michele Kaiser

      Que história triste, Bruno.

      Realmente os pais adoram as meninas e são mais duros com os meninos. Precisamos apostar sempre no amor. Ensinar com carinho é a primeira alternativa.

      Um abraço!

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