Os trigêmeos da Roberta

De São Paulo-SP, Roberta Forte, 36 anos, e o marido Fernando Salazar, 36, são pais dos trigêmeos Felipe, Guilherme e Mathias, de 2 anos e 11 meses. Depois de passar alguns anos tentando engravidar naturalmente, o casal resolveu recorrer a uma fertilização in vitro (FIV). Mas depois de transferirem 2 embriões, como poderiam estar esperando três bebês??? Vem conhecer esta história!

trigêmeos da Roberta

“Eu e Fernando nos conhecemos em 2005, namoramos e nos casamos em 2010. Estávamos casados havia 3 anos e não gostaríamos de esperar muito tempo para ter filhos. Embora tivéssemos planejado, não tínhamos pensando nas dificuldades que se apresentavam. Ao longo do tempo, e depois de tentativas frustradas de gravidez, decidimos investigar mais a fundo as razões e os motivos de não conseguirmos engravidar.

Após algumas consultas médicas (em diferentes médicos) e exames realizados, no início de 2014 decidimos fazer ‘uma tentativa’. Optamos pelo tratamento da fertilização in vitro (FIV), pois era o mais indicado para os problemas que nos apresentavam. Como tínhamos menos de 35 anos, o número máximo de óvulos implantados seria dois. E dadas as estatísticas, seria muito provável que teríamos que refazer o tratamento outras vezes. Afinal, cansamos de ouvir falar em casais fazendo 5, 6 ou até mais tentativas.

Na verdade, após a implantação, fiz os exames de rotina (beta HCG, que por sinal, estava muito elevado) e tinha alguma ideia que o tratamento havia sido bem sucedido. Pensamos: foram implantados 2 óvulos, logo, poderiam ser gêmeos. ‘Que bacana, família grande logo de cara’. Porém, quando fiz o primeiro ultrassom, quase cai da cadeira!! Nosso médico disse: ‘um, dois…. e três, que legal!’. Falei: ‘Três?, como assim três? Não é possível! Não foram implantados 2?’. Eu estava completamente assustada. Meu marido? Rindo! Na cabeça dele, que sempre quis ter 3 filhos, estava tudo pronto. Resolvido. Na minha, não!!!

Acontece que um dos embriões implantados se dividiu, formando dois gêmeos idênticos. Eu estava esperando trigêmeos plurivitelinos: dois na mesma placenta e um em outra. Dois idênticos e um diferente (fraterno).

A gestação

trigêmeos da RobertaBom, passado o susto (e alegria) do momento inicial, ouvimos de inúmeras pessoas: ‘calma, deixe evoluir passo a passo’. Ou ‘pode ter algum problema inesperado’. Ou ‘vai com calma, poque é uma gestação de risco’. Enfim, resolvemos ir com calma! Eu sou uma pessoa muito agitada (ligada no 220V, mil eventos, festas e programações), mas durante a gravidez fiquei absolutamente calma (até nos momentos mais difíceis). Não sei se pelos hormônios, se pelo momento da gravidez, se pela circunstância… é provável que seja uma combinação de tudo.

Descobrimos o sexo dos bebês durante o ultrassom do 1º trimestre. Todos meninos! A princípio pensei: ‘Puxa…. são 3 e não tem uma menina!’ Mas logo me acostumei, e hoje digo: estou rodeada de homens e ser mãe de menino é demais!!! Meu marido, é claro, adorou logo de cara! Três corinthianos, três moleques para brincar, três bagunceiros…. kkkk.

Como toda a gravidez, tive muito sono, algum enjoo, dificuldade de locomoção (é claro, com aquele barrigão)… mas na 26ª semana (1 semana antes do chá de bebê, que estava planejando), houve um corrimento (pensei que tivesse sido o tampão). Fiquei muito assustada, corri para o médico porque o nascimento com 26 semanas é muito complicado. Os bebês tinham por volta de 300 ou 400 gramas. O fato é que, a partir desse momento, foi recomendado o repouso total, afastamento das atividades e restrição de tudo. Morava na minha cama e no sofá da sala. Até no chá de bebê fiquei sentada (me levaram uma poltrona e fiquei igual uma rainha, sem me mexer). Com todos me supervisionando. Saídas, somente para os exames de ultrassom e as visitas ao obstetra.

O nascimento dos trigêmeos

trigêmeos da Roberta

A gravidez foi muito bem, com 31 semanas tomei a primeira dose de corticoide (para ajudar no desenvolvimento dos pulmões dos bebês). Com 33 tomei segunda dose. Pela facilidade, decidi tomar as injeções na própria maternidade. Foi quando decidi ir cedo (por volta das 5 ou 6 horas da manhã – aproveitando o horário vazio). Isto para poder tomar a injeção e voltar logo para casa. Não tinha me preparado, afinal se tratando de gravidez gemelar, o objetivo é levar o quanto mais longe possível. Mas neste sábado (estava com 33 semanas e 3 dias), o exame de triagem do pronto socorro indicava leve contração. E depois de conversas com o médico e equipe da maternidade, decidimos que iria ser naquele dia mesmo. Chegamos para tomar injeção e voltar para casa….. e acabamos ficando para o parto!

Os meninos nasceram super bem! Felipe com 1,6kg, Guilherme com 1,8kg e Mathias com 1,9kg. Todos com aproximadamente 45-48cm. Já tínhamos escolhido os nomes, sabíamos que era 1 fraterno e 2 univitelinos (óvulo e placenta dividiram). Porém, como não queríamos determinar quem seria o fraterno e quem seriam os gêmeos idênticos, pensamos: vamos nomeá-los de acordo com a ordem alfabética do nascimento.

Bom… é engraçado, nascimento de trigêmeos é muito diferente! Todo mundo tem fotos, vídeos, rotina na maternidade… No meu caso é um tanto quanto diferente. Não conheci meus filhos no dia em que nasceram, fui conhecê-los no dia seguinte. Eles nasceram muito bem, mas foram logo para UTI neonatal. Prematuros e com pesos variando entre 1,6kg e 1,9kg, a prudência e o cuidado são redobrados. Então, foram logo levados nas incubadoras para a UTI. Meu marido tirou algumas fotos, conseguiu ficar um pouco com cada um.

Ao todo, Guilherme e Mathias ficaram 18 dias na UTI e Felipe ficou 21. Não tiveram nenhuma intercorrência. Apenas peso e alimentação. Religiosamente todos os dias eu ia visitá-los às 10h para o boletim da manhã e às 16h para o boletim da tarde. Visitas eram frequentes ao lactário para coletar meu leite para darem para eles. Foi nesta época que criei uma íntima relação com uma bombinha de amamentação. Minha amiga inseparável! Todo leite que tirava, ia para os meus meninos.

Bom, a bombinha de amamentação foi realmente uma história a parte. Um grande sacrifício, mas muito recompensador. Vivia com a tal bombinha de um lado para o outro. Até os 7 meses, consegui amamentar os meninos com meu próprio leite. Os 3! Começou durante o período em que eles estavam na UTI, até em casa quando eles completaram 7 meses. Muito importante e recomendo muito o esforço para todas as mães.

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Mas, uma lembrança muito viva do período de UTI é a lição de vida. Graças a Deus, os meus filhos não tiveram nada, ficaram 20 dias na UTI. Mas pude conviver de perto e compartilhei experiências tanto com outras mães como com profissionais que vivem e trabalham ali. É impressionante como se consegue diferenciar pequenos problemas do nosso cotidiano de situações realmente complicadas nesta vida. A força de vontade das pessoas é certamente uma lição de vida que levarei para sempre.

Desde o começo, sempre tive muita ajuda. Avó, avô, tia, amiga, babá, empregada, cachorro, periquito, papagaio, etc. É um trabalho enorme! Hoje, com quase 3 anos, os meninos já vão para a escola normalmente. Mas como diz o ditado: toda a ajuda é bem-vinda!

No começo, precisávamos identificar os irmãos idênticos (Felipe e Guilherme). Tivemos a ideia de colocar uma fitinha no tornozelo do Guilherme. Mas depois de alguns meses, não foi mais necessário. Hoje já crescidos, a diferenciação entre eles é fácil. Pelo menos para a mãe e o pai. Você se acostuma ao sorriso, a forma de falar, andar, o jeito de pedir as coisas. Eu sempre falo: ‘mãe e pai sempre sabem quem é quem’. Na dúvida, o Felipe tem uma pinta nas costas que o Guilherme não tem… Mas é claro que nunca precisei tirar a blusa deles para identificá-los.

Na verdade, nunca tivemos a sensação de semelhança entre eles ou a necessidade de identificação. Sempre os tratamos separadamente, nunca os vestimos iguais, sempre buscamos desenvolver e aflorar a identidade única de cada um. Enfim, cada um é um. Devemos estimular a individualidade de cada um (esse é um desafio de mãe/pais de gêmeos do mesmo sexo, sejam eles idênticos ou não). Hoje por exemplo, um gosta do amarelo, outro do laranja e outro do azul. As brigas e disputas entre eles são inevitáveis, porém o estímulo desde cedo às individualidades são fundamentais. Pelo menos, acreditamos que deva ser assim.

trigêmeos da Roberta

Após a minha licença maternidade, tentei retomar minha vida profissional. Não consegui, foi impossível. Saía antes dos meninos acordarem e mal conseguia vê-los durante a semana, foi então que decidi pedir demissão. Deixei 9 anos de trabalho e uma sólida carreira no mercado financeiro para trás. O resultado: pude curtir de perto toda a primeira infância dos meninos. Foi ótimo! Quando fizeram 2 anos de idade, eles foram para escola (somente meio período, até então) e eu comecei a buscar alguma atividade profissional. Atualmente, me encontrei e me tornei representante de uma empresa americana de produtos de saúde e rejuvenescimento. Achei um espaço onde consigo conciliar filhos, marido, casa e trabalho. Estou muito feliz!!”

Muito obrigada por ter dividido sua história conosco, Roberta! Adoro estas histórias surpreendentes de mães e trigêmeos e outros múltiplos. Você também tem trigêmeos ou mais múltiplos e gostaria de contar sua história aqui? Escreve para contato@ostrigemeosdamichele.com.br e eu te digo como fazer! Até mais!

3 comentários

  1. Roberta estou sem palavras para dizer sobre esta linda estória que acompanhei tão de perto desde o 1. dia. Há de continuar assim para sempre. Vc merece tudo do melhor junto c/ o Fernando. Bjs.

  2. Sem palavras.

  3. Genteeeee
    3 de uma vez é coisa de cinema hein?!
    Imagina achar q vem dois e TCHARAM serão 3!!!
    Mas o amor em triplo compensa td a trabalheira!

    Bjooos

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