Você é feliz?

“Você é feliz?”, perguntou-me hoje uma mãe, na escola. Enchi a boca para respondê-la, mas na hora as palavras me faltaram. Sem perceber minha hesitação, ela mesma continuou o diálogo, respondendo à própria pergunta. “Claro que você é feliz, olha para estas crianças!”

você é feliz?

Aquilo criou em mim uma questão interna, muito particular. Será que sou feliz? Poxa, claro que sou feliz. Tenho quatro filhos saudáveis, um marido que divide parelho as funções e responsabilidades que vieram com estes filhos. Tenho um emprego que me traz alegrias, uma família que me apóia. Como não seria feliz?

Mas a verdade é que ando bastante cansada. Por mais que a rotina seja a minha melhor amiga para poder dar conta do dia a dia com os filhos, ando cansada de segui-la. Por mais que ame meus filhos e adore passar tempo com eles – principalmente nesta idade gostosa que estão -, sinto-me saudosa dos dias de calmaria. Acho que, na verdade, o que venho sentindo mais saudade é da liberdade da vida sem a responsabilidade que veio com os filhos.

Mas poxa, eu sempre quis tanto ser mãe! Passei quase dois anos tentando engravidar até a vinda da Mônica. Queria mais de um filho e engravidei de trigêmeos! Queria tanto ter filhos que tive quatro! Como não ser feliz? Claro que sou feliz.

Mas ao mesmo tempo eu me sinto mais cansada, mais velha, mais dura, às vezes ranzinza. Já não vejo mais graça em qualquer coisa. Algumas coisas que me deixavam tão feliz antigamente, hoje já não têm mais graça. A maternidade muda mesmo a gente, mas será que a overdose de maternidade que tive nos últimos anos me tornou uma pessoa mais amarga? Será que sou, realmente, feliz?

Onde está a felicidade?

Tenho levado meus dias um depois do outro sem muita animação. Mas para aguentar eu preciso descansar. Não só o corpo, mas também a mente. Depois de ouvir um dos meus filhos tossir por quase uma hora no último sábado, tive uma conversa mental com o médico deles na madrugada. Eu disse, na minha cabeça: “doutor, eu amo meus filhos. Mas eu preciso dormir para não ter um colapso nervoso”. Eu estava me sentindo tão cansada, mas tão cansada, que meu marido ofereceu-se para passar a noite com o dono da tosse na sala e, assim, eu poderia dormir. Eram 22h de sábado. Deitei. Só que revirei-me na cama por horas. A última vez que olhei no relógio era 1h36. Sim, eu estava com muito sono e cansaço, mas não conseguia dormir.

Já faz mais de quatro anos que minha vida mudou muito. Não para pior ou para melhor. Minha vida mudou e eu precisei adaptar-me à ela. Engravidei de três meninos e tive uma gravidez muito cansativa. Precisei fazer fisioterapia após o nascimento deles. Precisei modificar meu apartamento para a vinda deles. Precisei comprar um carro que tivesse espaço para transportá-los. Meu marido e eu precisamos fazer malabarismos para arcar com todas as despesas que eles trouxeram. Todo o dia exercitamos nossa paciência para lidar com manhas e birras de quatro crianças com sono na hora de buscar na escola no fim da tarde.

Sou feliz? Acho que a felicidade está, sim, nas pequenas coisas. Naqueles momentos em que a gente olha para os filhos brincando juntos e sorrindo. Naqueles momentos em que a gente os vê correndo felizes e cheios de saúde. Principalmente depois de lembrar que um deles não respirou no nascimento. Depois de lembrar dos dias na UTI neonatal.

A felicidade está em vê-los correndo, sorrindo, na nossa direção quando a gente chega em casa. Em vê-los alegres com a surpresinha que a gente comprou na padaria na esquina de casa. Está em ouvi-los pedir aquele beijinho que a gente dá no dodói. Em vê-los dormindo em suas caminhas, em paz. É normal do ser humano questionar-se, sentir-se insatisfeito e sempre buscar a felicidade. Porém, muitas vezes temos dificuldade em perceber que ela já nos encontrou. Até mais!

10 comentários

  1. Eu andei pensando sobre isso ultimamente também. Me sentia cansada da rotina e agora grávida do segundo passei momentos bem difíceis no primeiro trimestre, com a exaustão da gravidez e meu filho de 2.5 anos numa fase horrorosa de muito choro, ataques, dormindo hiper mal a noite (ele, e eu por tabela). Estava sonhando com a viagem ao Brasil que meu marido ia fazer com meu filho por 3 semanas, e eu não ia poder ir por causa da gravidez. Hoje fazem 18 dias que eles viajaram, e em mais 3 dias eles voltam. Nesse período descobri que por mais que tenha sido bom o tempo sozinha, ter conseguido arrumar a casa, arrumar as coisas do novo bb, o fato é que minha vida não tem mais sentido sem meu filho (e marido). A casa ficou vazia, e todo o tempo do mundo que tive pra mim não compensou a “bagunça” da minha vida com ele. Me vi tendo todo o tempo do mundo pra ler, ir no cinema, sair com amigos, mas descobri que isso não é mais tão importante pra mim, não tem mais tanta graça. Claro que é bom de vez em quando, mas no dia a dia gosto mesmo é das risadas pela casa, do abraço do meu filho, de colocá-lo pra dormir e dormir com ele toda noite, dos fins de semana de passeios em família, etc. Cheguei a mesma conclusão que a sua: a felicidade está nas pequenas coisas. 🙂

  2. Cassia

    Eu sou mãe só de 2 crianças mas não me sinto feliz, desde o a primeira a 10 anos, tive depressão pós parto, pânico de tudo, e nada melhorou depois disso,qnd tive o segundo ele nasceu doente, meu mundo que já não tinha alegria nem expectativas só desabou. Não tenho motivos para não ser feliz, só não vejo alegrias em nada, acho que a maternidade Que eu achava que era tão romântica, aquele amor incondicional não veio até mim. Acho sua família um exemplo. Sério é clichê, batido… mas não sei mesmo como vcs conseguem. Não pelo esforço físico, mas principalmente pelo mental.

  3. Danieli

    É assim… a maternidade é muito mais “escura” do que rosa kkk criaram uma fantasia q a mulher só seria feliz e completa se tivesse filhoS, pq filhO não é suficiente! Eu levei uns 3 anos.para por minha cabeça no lugar depois que meu filho nasceu, ele vai fazer 5. Foram 3 anos para entender q sou muito mais que mãe dele…. para voltar existir um EU. Hoje me sinto bem. Saio com minhas amigas, fiz novas amigas através e por causa dele… e vida que segue… esse romance todo criado, nos destrói!

    1. Michele Kaiser

      Não acho que o romance nos destrói, mas é bom deixar também espaço para o lado difícil da maternidade. Falar sobre as duas coisas: o lado bom e ruim.

  4. Nossa Michele, eu tenho só 1 e às vezes me vejo louca, imagino no seu caso…
    Imagino tds as mudanças que 4 filhos trouxeram mas sei tb que o amor é multiplicado por 4
    Q a felicidade seja uma constante e q possamos percebê-la!

    Bjoooos

    1. Michele Kaiser

      Obrigada pelo carinho! Um beijo!!

  5. Milena

    Eu tb sou mmãe de um menino lindo chamado Arthur e com ele aprendi que a vida é feita de momentos,felicidade não existe,existe momentos felizes! Ninguém é feliz todo dia,temos momentos felizes. Também temos momentos tristes e por não ser bom achamos que somos infelizes,mas é só um momento,depois passa…e aí vem a felicidade,depois tristeza de novo,angústias,felicidade de novo e assim vai…É isso gente,que saibamos aproveitar os momentos….:)

    1. Michele Kaiser

      Isso aí: que saibamos aproveitar os momentos! Beijos!

  6. Milena

    Quis dizer que felicidade não existe porque a frase: ” vc é feliz”? choca um pouco né? Temos momentos felizes,não somos felizes todos os dias. Espero que tenham entendido 🙂 Bjs Michele,amo seu canal no YouTube,meu filho Arthur de 3 anos todo dia na hora do almoço assiste o vídeo dos meninos comendo brócolis kkkkkkkkkkkkkkkkk

    1. Michele Kaiser

      Hahahaha. Então é por isso que a visualização daquele vídeo aumentou tanto? É seu filho que fica assistindo? kkkkk. Um beijo!

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