Depois de 1 ano separados na escola

Ainda estamos em janeiro, aproveitando as férias de verão, mas daqui a pouco mais de um mês já recomeçam as aulas. Depois deste primeiro ano separados na escola, quais foram os pontos positivos e negativos de termos feito esta escolha? Será que acertamos? Como foi ter os trigêmeos separados cada um em uma turma e com professoras diferentes?

Na metade de dezembro tivemos o fim do ano letivo e a reunião com entrega dos resultados e pareceres das professoras. Mais uma vez, precisei escolher uma das turmas para participar da reunião (já que de cada nível elas são no mesmo horário). Depois da reunião, as professoras entregaram os pareceres e os trabalhinhos deles e aí então pude conversar individualmente com cada uma delas.

Desde que falei pela primeira vez que eles estariam em turmas separadas na escola, recebi muitos comentários contra e a favor desta separação. Muitas pessoas me procuraram para relatar suas experiências positivas e negativas com seus filhos gêmeos e também recebi relatos de gêmeos que foram separados e de gêmeos que se mantiveram juntos. Hoje quero contar para vocês como foi este primeiro ano letivo separados na escola.

Assista ao vídeo onde falo sobre isso:

Separados na escola

Desde o início do ano de 2017 a gente vinha percebendo que o Matheus tinha mais facilidade para se enturmar e conviver com os colegas. Enquanto Murilo e Marcelo choramingavam para entrar na escola e ficavam quietinhos dentro da sala, Matheus fazia amizades com os coleguinhas. Murilo e Marcelo sempre se procuravam no recreio e preferiam ficar juntos. O Marcelo demorou cerca de 4 meses para começar a dividir experiência na “rodinha da novidade” e até mesmo para conversar com a professora. Morria de vergonha! A gente percebia que ele era mais dependente dos irmãos e, sem tê-los por perto, se sentia muito perdido. Logo ele que, há dois anos, foi descrito por mim como o mais independente.

As três professoras, juntamente com a coordenação da escola, sempre acharam muito boa a nossa decisão de separá-los e sempre me deram feedback positivo. A professora do Matheus, por exemplo, disse que sente que ali na turma, com os colegas, ele podia ser o Matheus. Ali ele não é trigêmeo, não é parecido com ninguém. É como se ele ficasse livre das comparações, das nossas trocas de nome, da dependência dos irmãos. É como se ali, naquele momento, ele pudesse (tivesse autorização) para ser ele mesmo. E só esta afirmação já me deixa com o coração tranquilo.

separados na escola

Um agradecimento especial a estas três professoras incríveis! Profe Aline, Profe Dani e Profe Marcela serão inesquecíveis.

Durante todo o ano, eu respondi perguntas sobre a separação deles. Muitas pessoas, ao saber que eles estudavam em turmas diferentes, me perguntaram porque a escola os havia separado e porque eu havia aceitado isso. O choque era grande quando eu dizia que fui eu quem pediu para separá-los. Mas quando as pessoas escutam meus motivos, a maioria concorda comigo.

separados na escola

Recebi diversas mensagens de mães de gêmeos e outros múltiplos falando de suas experiências. Também recebi relatos de adolescentes e adultos gêmeos sobre a separação ou não. Minha conclusão é que cada dupla ou trio é realmente diferente, e vai da família querer que permaneçam grudados. Nós quisemos desgrudá-los. Foi nossa opção.

Não posso dizer que não existiram momentos onde eu me arrependi temporariamente da decisão. Houve situações onde eu quis sim voltar atrás e quase o fiz. Mas fico muito contente por ter persistido. Por diversas vezes eu me perguntei o que teria sido diferente. Por muitas vezes eu me questionei se estava realmente fazendo a escolha certa.

Fico tranquila em perceber que meus filhos se desenvolveram muito em diversos aspectos neste primeiro ano escolar. Aprenderam muito, principalmente a conviver em sociedade longe da família. Era isso, afinal, que eu temia: que eles passassem toda a infância pendurados uns nos outros e não se descobrissem como indivíduos, como seres únicos que são. Que não tivessem a oportunidade de desenvolver suas habilidades únicas, porque sempre copiariam o irmão. Hoje percebo que, em casa, eles brincam (e brigam!) juntos mas também há momentos onde lutam pela sua opinião nas brincadeiras e jeito de fazer alguma atividade. “Na escola, eu fazia assim”. “Não, o certo é assim”. E eu, como sempre, apaziguo reiterando o que eu sempre disse: “Cada um tem o seu jeitinho. Você faz como você achar melhor”.

Em 2018, seguirão separados. E não pensem que eles estão infelizes. Para eles, a experiência escolar não é de “separação”. Embora sem esta consciência de adulto, eles encaram a escola como o que a escola é: um momento de aprendizado. E juntos eles ficam desde a hora em que acordam (às 7h da manhã) até às 13h; e depois das 17h30 até a hora de dormir (21h). Continuamos com a mesma opinião e este é meu conselho para as mães de múltiplos: separem seus filhos para que vocês os conheçam (e para que eles tenham a oportunidade de conhecerem a si mesmos).

Até mais!

3 comentários

  1. Olivia

    Bom dia… Parabéns pela iniciativa, sou professora e trabalhei com gêmeos e múltiplos em uma turma é era uma loucura, as comparações e trocas de nomes, e as crianças estranham, pois qrem ser elas mesmas, não uma cópia dos irmãos!!!
    Ainda mais aprendizado prós rebentos e q sejam sempre vitoriosos em TD q se arriscarem a fazer!!!

  2. Jadhy

    Michele, estou tão apaixonada e encantada com a sua família. São demais! É incrível como vocês lidam com os 4 e como casal também, que sei que é importante. Parabéns pela família linda de vocês!!

    1. Michele Kaiser

      Muito obrigada pelo carinho conosco!!!

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