Primeiros dias de aula – individualidade

Os trigêmeos e a Mônica reiniciaram a escola no dia 14 de fevereiro de 2018. Vou contar pra vocês como têm sidos estes primeiros dias de aula!

Eles não são alunos novos na escola e, como vocês já sabem, estudam em turmas separadas. A gente optou por deixá-los separados para incentivar diversas coisas. Entre eles: promover a individualidade, dá-los espaço para desenvolverem sua personalidade, terem suas próprias experiências. No ano passado, a experiência foi muito positiva!

Leia meu relato de como foi o 1° ano separados na escola

Na quarta-feira, dia 14, todos estavam super ansiosos para o início do ano letivo. Mônica iria começar o ensino fundamental então muitas coisas mudaram. Agora ela faz fila no pátio do colégio e tem o horário levemente diferente dos irmãos. Desde o primeiro dia, estava muito empolgada e tem ido para escola toda feliz da vida.

Já com os meninos, estávamos um pouco apreensivos porque é o segundo ano de escola e não sabíamos se eles iam entender que eram professoras e salas diferentes. Havíamos explicado tudo muito direitinho durante as férias, mas na hora são outros quinhentos. Então, fiquei até um pouco surpresa de eles entrarem sem problema algum com as monitoras. Na hora de buscar, também todos estavam felizes contando coisas positivas sobre a escola.

A importância da individualidade 

Na quinta e sexta-feiras também deu tudo certo. Entraram no horário previsto, sem chorar e tudo bem. Achei que não haveriam problemas de adaptação neste ano. Mas na segunda-feira, depois de passarem o fim de semana em casa, o Matheus veio com uma conversa diferente. Não estava muito animado para ir para a escola e eu estava tentando entender o porquê. Ele falava que não gostava da hora do recreio e eu não entendia o motivo.

Na entrada da escola, os irmãos entraram sem problemas mas o Matheus empacou na fila. Não queria entrar e começou a chorar. Puxei ele para conversar em um cantinho e ele me disse: “Eu odeio o recreio”. Perguntei se ele não estava feliz porque eu tinha mandado o suco de uva que ele estava ansioso para tomar. Ele disse: “o recreio demora muito e ninguém sabe quem eu sou. Eles não sabem que eu não sou o Murilo e nem o Marcelo”. “Eles confundem você?”, perguntei. “Os colegas deles me chamam do nome errado e eu não gosto!!!”. Perguntei se os colegas dele sabiam quem ele era e ele disse que sim. Querido, fiquei com pena dele.

Os colegas dele chamam de Matheus, não confundem porque ele é o único com aquela carinha naquela sala de aula. Isto deixa ele feliz. Mesmo em casa, Matheus nunca gostou de ser comparado ou confundido. Na hora do recreio, os colegas dos outros o confundem, as monitoras deste ano ainda não sabem diferenciá-los e as professoras ainda estão aprendendo. No ano passado, haviam quatro turmas do nível deles. Marcelo estava na A, Murilo na B e Matheus na D. Os recreios eram divididos em dois horários: turmas A e B juntas e turmas C e D. Neste ano, são 5 turmas de Pré I. E o Matheus faz o recreio com a turma do Marcelo. Os colegas do Marcelo vêm convidar o Matheus para brincar (porque pensam que ele é o Marcelo) e ele fica muito bravo!

Eu combinei com ele na entrada ontem que bastava ele pedir para a professora para não sair da sala no recreio. Eu sei que isso nem pode, mas imaginei que a professora ia convencê-lo a sair e brincar. Ele ficou feliz e aceitou entrar na escola. Na hora de buscá-los, conversei com a professora dele sobre isso. Ela me disse que ele entrou feliz e nem conversou com ela sobre este assunto. Que foi para o recreio sem sofrimentos.

Ao sair da sala dele, fomos brincar no pátio. Um coleguinha do Murilo veio correndo na direção do Matheus (Murilo e Marcelo estavam brincando em uma casinha alguns metros para a frente) e disse: “Murilo, vamos andar de balanço?”. O Matheus sentou no chão e, chorando, me disse: “Viu????? EU NÃO SOU O MURILO”. Coitadinho do coleguinha, só queria ser legal.

Bem… Você pode me achar injusta, doida, idiota. Achar que eu não sei de nada e que vou me arrepender de ter separado meus filhos na escola. Confesso que tenho receio de, um dia, meus filhos me dizerem que estudarem separados ‘foi o maior trauma da minha infância’. Toda mãe se sente insegura em suas decisões, não é mesmo? Mas eu sinto que meus filhos querem espaço para serem únicos. Não, não é maldade separá-los na escola.

Eu acho que é dar uma oportunidade para que a gente os conheça mais intimimamente como indivíduos e também uma oportunidade para eles conhecerem à si mesmos. Meus filhos estão separados e felizes. Matheus tem esta necessidade. Os outros não se importam muito quando são confundidos. Mas para o Matheus, ser ele mesmo é importante. E eu apoio isso totalmente.

Hoje o Matheus e o Marcelo entraram tranquilos. O Murilo que fez um pouco de onda. Chorou um pouquinho antes de entrar, mas depois aceitou. Ele está gostando bastante da professora dele este ano. Fica feliz quando eu falo dela em casa. Bem, todos vão se adaptando. Até mais!

primeiros dias de aula

Marcelo, Matheus e Murilo.

2 comentários

  1. Own, tadinho!
    Eu li no insta e fiquei com dó dele
    e ele tem razão, ele quer ser ele msm e não um dos irmãos
    acho importante isso da individualidade
    N acho q vc esteja errando em colocá-los em sala separadas

    Bjooos

    1. Michele Kaiser

      Eles são iguais, mas tão diferentes! O Murilo e o Marcelo já gostam de estar juntos. Querem levar os irmãos quando são convidados para os aniversários. Já o Matheus quer ir sozinho. Heheheh. Um beijo!

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