Os trigêmeos da Andreia Bicca

Andreia Bicca e seu esposo Daniel de Almeida Santos moram em Fazenda Rio Grande, cidade metropolitana de Curitiba-PR. Andreia já era mãe da Amanda (que hoje tem 17 anos) quando engravidou dos trigêmeos Arthur, Allan e André, que estão completando três anos no próximo mês. Eles são plurivitelinos, dois idênticos e um diferente.

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“Minha gravidez não foi planejada, eu tomava anticoncepcional. Ao fazer uma ecografia de rotina descobri que estava ovulando e que precisava colocar um DIU, pois o anticoncepcional não estava fazendo efeito desejado. De um mês para o outro, engravidei! Sem tratamento algum. Acreditava que o método “tabelinha” funcionaria comigo. O meu esposo, que não tinha filhos, achava que dava para correr o risco de uma gravidez…

Tudo começou com dores nos seios e urgência urinária. Fiz ecografia e toque e o médico disse que eu não estava grávida, mas que era algum problema hormonal pois estava sem menstruação e com seios doloridos. Uma semana depois, fiz  o exame de sangue e deu positivo, então resolvi fazer outra ecografia, onde apareceram dois sacos gestacionais. Levei um susto!!! O médico disse que eu estava grávida, mas não dava pra confirmar se era um ou dois bebês. Pediu para repetir a eco em duas semanas.

A médica que fez a nova eco, especialista no assunto, não acreditou no que estava vendo. Havia ali 3 bebês!! Chorei… O misto de emoção e medo tomou conta de mim, pois tenho 1,58 m de altura, pesava 48 kg, e sabia que o que viria pela frente não seria fácil. Não tinha certeza se eu iria aguentar ter 3 bebês no meu ventre. Sem contar que eu não tenho família próximo de mim, todos moram no Rio Grande do Sul. Como eu ia cuidar de 3 bebês sozinha???

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Eu trabalhava em uma clínica de ecografia 8 horas por dia. Atravessava Curitiba de ônibus. Foi tudo tranquilo até chegar nas 18 semanas. Comecei a me sentir mal, ter contrações. Procurei minha médica, que fez uma eco e disse que estava acontecendo algo e que não era bom. Me encaminhou para outro médico, que diagnosticou a Síndrome da Transfusão Feto-Fetal (STFF) nos dois idênticos F1 e F2, o diferente F3 nada sofria.

(STFF é uma complicação que pode ocorrer nas gestações de múltiplos quando os fetos estão dividindo a mesma placenta. Essa síndrome é resultado do desequilíbrio no fluxo de sangue entre os bebês através de comunicações entre vasos (artérias e veias) na placenta. Assim, um bebês torna-se doador de sangue e o outro receptor. É uma condição grave e perigosa para ambos. O tratamento é através da separação das artérias e veias comunicantes da placenta com cauterização à laser).

Em 10 dias eu estava no Hospital do Coração de SP, realizando a cauterização de veias placentárias, com o especialista no assunto Dr Fabio Peralta. Eu e meu esposo fomos de ônibus para São Paulo-SP.  Estava com 20 semanas de gestação. Somente o Dr Peralta lá em SP foi que nos falou a realidade da situação. Disse que 30% dependia do trabalho dele, mas 70 % era a vontade de Deus. O medo tomou conta de mim, mas eu estava confiante! Foram retirados 2 litros de líquido amniótico do F1. A cirurgia à laser foi um sucesso!!

Após a cirurgia, o Dr Peralta falou que estava tudo bem, mas eu não poderia de jeito nenhum ter contrações. Foi ele virar as costas e vieram as contrações! Foram administradas 3 doses de um remédio (que não lembro o nome) para inibir as contrações. Só na terceira dose elas pararam. No dia seguinte à cirurgia, foi realizada uma ecografia, e foi constatado que o F2 já estava produzindo seu líquido, sem doar p o F1. Tivemos alta médica. Hora de voltar pra casa, de ônibus. A gestação foi sem intercorrências até 32 semanas, mas fazíamos ecografias semanais.

Os médicos do Hospital das Clínicas de Curitiba resolveram interromper a gestação às 32 semanas pois o F3 não estava ganhando peso, e sua cabecinha estava irregular, apesar de acharem que eu aguentaria mais 2 ou 3 semanas. Os trigêmeos nasceram no dia 19 de julho de 2012, às 9:25, 9:26 e 9:28. O Arthur nasceu com 1,789 kg, o Allan com 1,786kg e o André com 1,290kg. Passaram 28, 26 e 30 dias na UTI respectivamente. O André teve uma bactéria intestinal, ficou 14 dias em jejum, tomou antibiótico e ficou em isolamento.

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Saíram bem, mamando NAN, pois meu leite secou. Precisei usar antibiótico devido a uma forte laringite. Tive ajuda para cuidar deles por 2 meses. Minha mãe veio do RS e ficou um mês conosco e minha irmã veio depois e ficou mais um mês. Só Deus sabe o que passei, principalmente nas madrugadas pois meu esposo precisou arrumar mais um emprego, então ele dorme uma vez por semana em casa. Trabalha de dia e de noite. Passei apuros, até hoje passo, mas já me adaptei e dou conta sozinha graças a Deus, que me renova a cada noite. Mesmo dormindo pouco, no outro dia estou aqui disposta, feliz e realizada. Me apaixono diariamente pelos meus gurizinhos cada um com seu jeitinho.

Sobre confundir, me confundia um pouco entre os idênticos Arthur e Allan, mas sempre colocava roupas de cor diferente, chupeta diferente. Ou olhava nas costas, pois o Allan tem duas pintinhas e o Arthur não tem. O Arthur também sempre foi mais gordinho. O André é o diferente. É menorzinho, mais miudinho, não tem como confundir.

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O relevante da história é acreditar que ainda existem pessoas boas, anjos do céu que Deus coloca na nossa vida pra nos ajudar nas dificuldades. A internação e procedimentos em SP foram conseguidos via assistente social do HCor (filantropia), com apresentação de documentos e comprovantes registrado em cartório, confirmando q não tínhamos condições de arcar com os custos. Também recebemos muitos presentes. Ganhamos berços, carrinhos, roupas, fraldas… Somos muito gratos!”

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História muito interessante da Andreia! Você foi abençoada! Obrigada por dividir sua experiência conosco!

Você também tem trigêmeos e gostaria de contar sua história aqui? Me escreve que te digo como: mfvkaiser@yahoo.com.br! Até mais!

2 comentários

  1. Avatar
    Viviane

    LInda historia, graças a Deus que coloca anjos ao redor da gente para nos ajudar…

    1. Michele Kaiser

      É verdade! Um beijo!

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