Síndrome da Transfusão Feto-Fetal

Na 13ª semana de gestação, quando fomos fazer a primeira ecografia 4D para ver como estavam os trigêmeos, levamos um susto com a suspeita da Síndrome da Transfusão Feto-Fetal (STFF). O valor visto pelo médico na Translucência Nucal (TN) fez com que ele pensasse que nossos gêmeos idênticos, Murilo e Matheus, pudessem estar iniciando esse processo de transfusão. Marcelo, em saco gestacional separado, não teria nenhuma relação a esse processo.

Ficamos muito assustados mas fizemos tudo que podíamos na época, que era monitorar com frequência quinzenal através de ecografias com Doppler (exame que produz imagens e sons para avaliar o fluxo sanguíneo de artérias e veias). Se fosse necessário, faríamos uma cirurgia intrauterina com laser para separar as artérias e veias que faziam a ligação entre os bebês. Teríamos que ir a São Paulo para realizar o procedimento de cauterização dentro do útero com um médico especialista.

Nossa ecografia, tão esperada, tinha também o objetivo de desvendar o sexo dos bebês (havíamos feito diversas apostas!). Mas, ao invés de ser algo divertido, a suspeita da Síndrome da Transfusão Feto-Fetal nos deixou completamente sem graça. O médico até nos orientou a não contar para ninguém que eu esperava trigêmeos.

Por sorte, a suspeita não se confirmou. Examinamos de 15 em 15 dias até as 31 semanas. Mas desde a 20ª o médico nos disse que, como ainda não tinha acontecido, provavelmente havia sido alarme falso. Na ultrassonografia, ele monitorava as veias e artérias, a bexiga e a quantidade de líquido amniótico existente.

O que é a Síndrome da Transfusão Feto-Fetal?

O site Vizinhos de Útero traz a seguinte informação sobre STFF:

Síndrome da Transfusão Feto-Fetal

Síndrome da Transfusão Feto-Fetal

Síndrome da Transfusão Feto-Fetal é uma complicação que pode ocorrer nas gestações de gêmeos quando os dois fetos estão dividindo a mesma placenta, porém estão em bolsas diferentes. Essa síndrome é resultado do desequilíbrio no fluxo de sangue entre os bebês através de comunicações entre vasos (artérias e veias) na placenta. Tal desequilíbrio faz com que um dos bebês receba mais sangue do que o outro. Portanto um feto é classificado como doador e o outro de receptor de sangue. Com isso, no ultrassom observa-se bebês de tamanhos desproporcionais, onde o doador é normalmente um bebê pequeno e o receptor um bebê grande. Se não houver nenhum tipo de tratamento, a mortalidade perinatal pode chegar a 100% para os bebês. Como tratamento, podemos citar a amniocentese seriada (retirada de líquido da bolsa amniótica através de uma agulha) e o tratamento com laser (cauterização) dos vasos (artérias e veias) comunicantes.

Artigo de Luiz Fernando M. Hilbert / FetalMed, via Vizinhos de Útero.

O que foi recomendado em nosso caso

Esse último, a cauterização, era o que nosso médico estava nos preparando psicologicamente para realizar. Teríamos que ir a São Paulo, em uma clínica especializada, para realizar o procedimento ainda durante a gestação. Provavelmente antes de chegar nas 20 semanas, para que os bebês tivessem chance de reverter o processo.

Não preciso dizer o quanto o fato me assustou e o medo que tive. Mas, decidi não sofrer por antecedência e só me preocupar se fosse confirmado. Isso me manteve sã e calma durante minha gestação. Depois que tudo passou, o médico me disse que esse seria o tratamento, mas que, mesmo realizando o procedimento, teríamos apenas cerca de 40% de chances de que desse certo. Foi um alívio eles terem se desenvolvido tão bem e terem nascido saudáveis e de 34 semanas (com cerca de dois quilos cada).

12 comentários

  1. andreia

    Oi Michele….estou amando teu blog!!!

    Gostaria de compartilhar nossa história….

    Nós, não tivemos a mesma sorte….na 18 semana de gestação, foi confirmada a STFF, fomos as pressas p São Paulo, realizamos a Cauterização de Veias placentárias no Hospital do Coração com o dr. Fábio Peralta…. Os meus idênticos Arthur e Allan estavam sofrendo com a síndrome, o Arthur (receptor) estava nadando no líquido amniótico, e recebendo muito sangue, e o Allan (doador) estava à vácuo, sem quase nada de liquido amniótico, o André na outra placenta, nada sofreu….graças a Deus, a cirurgia foi um sucesso! Foi a primeira realizada pelo dr. Fabio Peralta em trigêmeos….

    1. Michele Kaiser

      Quero muito que vc conte sua história, querida! Tinha muita curiosidade em conhecer um caso de STFF bem sucedido. Me manda um email? Para mfvkaiser@yahoo.com.br

  2. Vanessa Branquinho

    Oi Michele, lindos seus filhos.
    Fui diagnosticada com a STFF essa semana. Estou com 17 semanas. Vou pra São Paulo amanhã para ser avaliada pela Dra. Denise Pedreira. Tenho certeza que Deus já está operando milagres nas nossas vidas e que vai dar tudo certo.
    Logo darei noticias.

    1. Michele Kaiser

      Oi! Puxa… Boa sorte! Meu médico disse que o dr. Fábio Peralta é referência, em São Paulo. Vem me contar sobre sua consulta depois? Um beijo.

  3. Para as mães da região sul agora o tratamento também está disponível no Hospital de Clínicas da UFPR. https://youtu.be/l_goWqodjRA

  4. Carolina

    Oi Michele, muito legal seu blog, Estou grávida de 12 semanas de trigêmeos, no início da 11ª semana, descobriu-se que na realidade estou com três bebês e meio, pois um dos gêmeos esta classificado como “gêmeo acárdico”. Estamos passando por uma situação muito difícil, pois é um caso muito raro, teremos uma consulta com um médico especialista da UNESP para nos ajudar. Mas pelo que pesquisei teremos que fazer essa cirurgia para cauterizar e desligar esse “gêmeo acárdico”.
    Torçam por nós, pois estamos muito apreensivos.
    Espero poder dar boas noticias. Bjs

    1. Michele Kaiser

      Nossa, Carolina. Sinto muito. Seriam quadrigêmeos, então? Você conhece o dr Fábio Peralta? Ele é especialista em São Paulo em transfusão feto-fetal. Te desejo tudo de melhor. É normal ficar apreensiva. Mas diversas meninas do nosso grupo de mães de tri já fizeram cirurgia de separação das artérias com dr Peralta e deu certo. Beijos.

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