As trigêmeas da Julia

Abro espaço no blog para contar uma história muito parecida com a minha, mas ao contrário! A Julia Martinez Bertazini Daoud tem 33 anos, mora em São Paulo-SP e, assim como eu, tem quatro filhos. O Vitor, de 3 anos e 8 meses e as trigêmeas Liz, Clara e Maria, de 6 meses. Ela teve um menino primeiro e depois trigêmeas plurivitelinas (duas idênticas e uma diferente).

As trigêmeas da Julia

“Meu nome é Julia, tenho 33 anos, sou engenheira e mãe de quatro filhos! Sou casada com o Daoud, o melhor pai do mundo e com quem divido esta história que vou contar.

Namorei e morei junto por muito tempo, então logo que casamos decidimos ter um filho. Engravidei rápido do Vitor, tive uma gestação tranquila e saudável apesar dos muitos quilos a mais. Ele nasceu de uma cesárea indesejada, grande, gordo, saudável e tranquilo. Amamentei durante a minha licença. Ele foi para a escola supercedo, nunca ficou doente, somente apresentou resfriados.

Próximo à virada do ano de 2013 para 2014, meu marido e eu decidimos que seria o ano do irmãozinho. Vitor estava com 3 anos, eu tinha carreira estável, antes dos 35 anos, perfeito! Logo no final de janeiro comecei a me sentir diferente, talvez grávida? Sim, o teste de farmácia ficou rosa antes de terminar o xixi. Iniciamos o pré-natal e marcamos o primeiro ultrassom para 7 semanas.

A ecografia se resumiu a uma mistura de lágrimas com gargalhadas. Dois sacos gestacionais! Três embriões! Três corações na mesma tela!

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Estava sozinha, fui amparada pela médica. Liguei para meu marido e falei: ‘São três bebês!’ Ele gargalhou! Liguei para uma amiga e disse a mesma coisa: ‘São três bebês!’ Ela respondeu: ‘Espera, Julia, vou mudar de lugar. O sinal não está bom’. Demorou para ela acreditar.

Voltei para casa, liguei para o médico. Queria outra guia para fazer outro exame! Ele me convenceu que não tinha erro. Assisti o DVD da ecografia umas 10, 15, 20, 50 vezes. Comecei a devorar a internet, escrevia ‘trigêmeos’ e lia todas as páginas que apareciam. Na consulta seguinte, meu médico me recebeu rindo: ‘Vamos lá, Julia!’ E começou com as recomendações por ser uma gestação de risco. Mandou me cuidar e não pegar o Vitor no colo (não é possível que os médicos não saibam que isso é impossível).

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Com o marido Carlos Daoud Filho e o filho Vitor, mamãe Julia à espera de Liz, Clara e Maria.

Durante toda a gestação nós três conversávamos muito, tomamos decisões juntos. Foi tudo muito tranquilo, nenhuma complicação, nenhum sinal de alerta. Trabalhei até 22 semanas, depois já estava pesada, não conseguia ser tão ativa. Mas fisicamente eu me sentia muito bem. As pessoas se espantaram que no aniversário do Vitor, quando eu estava de 28 semanas, estava fazendo tudo! Mas, a minha cabeça não estava nada bem.

Não foi fácil (pra falar a verdade não é fácil). Tive o período da negação, fiquei muito tempo apavorada, perdida. Sou toda chatinha, programada, pontual e quem programa três bebês??!! Fiquei sem chão, tudo iria mudar e tudo vezes três. Fralda, leite, escola, paciência, brinquedos, 60 unhas para cortar, carrinho, carro. Meu Deus!!!! Mas claro que eu também pensava nos três sorrisos, seis pés de bisnaguinha, três chorinho de recém-nascido, 6 olhos olhando no fundo dos meus! O tempo foi passando e tudo foi se encaixando e acalmando.

O Vitor adorou a gestação, fez muita graça com a barriga e as 3 irmãzinhas. Contava para todos na fila do mercado e na escola. Em casa eu só podia ficar com a blusa levantada porque ele queria ver a barriga. Conforme fui ficando limitada ele foi compreendendo e me ajudando muito.

Quando estava de um pouco mais de 32 semanas, decidimos marcar o parto. Tinha levado tranquilamente até ali, mas tinha chegado ao meu limite. Meus órgãos doíam quando elas se mexiam. Não conseguia respirar, comer, sentar e muito menos dormir. Marcamos para exatas 34 semanas, expectativa de dois quilos cada. No dia 23 de agosto de 2014 as trigêmeas nasceram. Às 11:18 veio a Liz, com 1.890g. Às 11:22, a Clara com 1.930g. E às 11:33 veio a Maria, que pesou 2.170g.

Que delícia ouvir o choro delas, olhar para elas. Depois de inúmeros problemas que sempre antes de começar a ultrassonografia eu pensava: ‘será que terá três corações batendo? Todos cresceram iguais? Tem líquido? Colo do útero está bem? E a placenta?’ Nossa… Enfim, ouvir o choro, nasceram! E nasceram ótimas! Um dia de oxigênio. Clara e Maria ficaram 13 dias até a alta e Liz 21 dias. A Liz teve mais dificuldade para aprender a se alimentar.

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Julia com as meninas, ainda no hospital.

Tudo tão difícil e tão diferente mas também tão mágico. Você não pega no colo o seu filho logo após o nascimento, mas foi maravilhoso não vê-las entubadas. Foi comemorado quando colocaram a roupa. Me emocionei ao receber a autorização da fonoaudióloga que poderiam ir para o peito.

Finalmente chegamos em casa. Nós seis!!!! Que delícia e que confusão. Meu marido tirou 40 dias de férias. No início quis manter a amamentação. Cada uma mamava um horário em livre demanda, mas desisti. Não descansava, não fazia nada. Comecei a dar leite artificial e todas no mesmo horário. Conseguia descansar um pouco, estar com os meninos e não só com as meninas. Até você se acostumar e montar um esquema de guerra para a hora do banho. Diz o Daoud que esta é a parte mais emocionante (para não dizer estressante).

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Vitor, irmão mais velho, com as trigêmeas Liz, Clara e Maria.

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Passei a licença cuidando das três sozinhas. Tinha a faxineira para cuidar da casa. Quase enlouqueci. Não foi fácil, mas foi possível! Achei a parte mais difícil ter as três chorando e você ter que escolher uma para pegar no colo e tentar ir acalmando. Destrói meu coração! Acho muito difícil sair com elas. As pessoas ultrapassam os limites.

Hoje elas estão com 6 meses, pequenas mas perfeitas, nenhuma sequela da prematuridade. Estão todos na escola, eu acabei de voltar a trabalhar. Eu, que me considero ‘a senhora rotina’, estou tentando viver em uma”.

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Muito legal a história da Julia! Sigam a família no Instagram: @trigemeasdaoud

Estamos combinando de fazer casalzinho com nossos filhos no futuro. Que tal, hein?

Você também tem trigêmeos e gostaria de contar sua história? Escreve pra mim que eu te explico como: contato@ostrigemeosdamichele.com.br

Até mais!

9 comentários

  1. Liza sardi

    que lindas suas princesas..parabens..seu principe tbm e lindo…linda historia

  2. Letícia

    Que legal, Júlia! Adorei a tua estória, assim como já amo a da Michele! Que linda essa passagem de vcs duas aqui na terra, com essa mágica missão de cuidar de 3 vidas+1 vidinha! Vocês são guerreiras, abençoadas por Deus! Parabéns às duas!

    1. Michele Kaiser

      Obrigada, Letícia!! Continue nos acompanhando e conheça mais histórias!

  3. Andréa

    Amei a história e já me identifico… Rsrs…

    Bjsss

  4. Delvania anjos

    Oi! Tenho trigemios de 1 ano e 2 meses! Dois indenticos e um separado! Thorben Arthur e Mariana! Tenho o Thomas com 7ano! Quero muito contar minha historia! E dividir e compartihar dduvidas!! Um bjim!

    1. Michele Kaiser

      Oi, Delvania! Te mandarei um email!

  5. selma santos

    Tenho trigemeos de 6 meses e gostaria

    1. Michele Kaiser

      Oi, Selma. Vc pode entrar em contato comigo pelo email mfvkaiser@yahoo.com.br? Um beijo!

  6. Ludmilla Bravo

    Conheci a Júlia e o marido na época da faculdade, antes do Vitor e tudo. É o tipo de coisa que quando você descobre, pensa “nossa, eu não imaginava que isso ia acontecer com ela”!
    Só o que tenho a dizer é que fico muito orgulhosa da coragem dela, da disposição, paciência, amor. É uma família linda!
    Eu tenho só uma menina, de seis anos, e fico até com vergonha de achar que às vezes dá trabalho, rs…

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