Mães de múltiplos sofrem preconceito?

Depois da história da mãe de trigêmeos que foi fotografada passeando com os filhos de mochila-coleira, conversei com outras mães de múltiplos sobre momentos difíceis que já tenham passado ou algum preconceito que já tenham sofrido. Parece estranho dizer que podemos sofrer preconceito, já que mães de múltiplos chamam bastante atenção com seus filhos e, geralmente, de uma forma positiva. Mas existe um outro lado, o da falta de vontade de entender que sim, muitas vezes precisamos de alguns “privilégios” para podermos realizar tarefas que não seriam tão difíceis para outras famílias. Mães de múltiplos sofrem preconceito?

mães de múltiplos sofrem preconceito?

Algumas mães me contaram que sofrem com frequência algum tipo de situação desagradável. “As pessoas criticam nosso rigor com a rotina, nossas necessidades maiores em levar os filhos ao médico e até na escola eu sinto no ar que acham que quero assistência diferenciada”, relata Valéria*. “Percebo que outras mães me acham cheia de privilégios porque preciso de ajuda para levar meus filhos da escola até o carro, por exemplo. Na verdade elas não entendem que ter um filho não é a mesma coisa que ter três. Recentemente, quando reclamei dos preços das festinhas na escola, a dona do estabelecimento me disse que eu fui a única mãe que achou caro. Claro, sou a única que terá que pagar aquele valor três vezes!”

Problemas na hora de fazer exames

Ana Paula* conta que durante sua gestação, sofreu para fazer as ultrassonografias. “Clínica nenhuma queria fazer minhas ecografias até eu denunciar ao plano de saúde. Alegavam que não tinham horário para gestante de três ou que não tinha médico que fizesse. Mas depois da denúncia apareceu”, relata. Tatiana* também sofreu em um exame. “No primeiro ultrassom, quando descobri os trigêmeos, tive problemas. Como já era de noite e a central do convênio já estava fechada, a clínica me obrigou a deixar um cheque-caução para cobrir os dopplers (exame que avalia o fluxo sanguíneo das veias e artérias placentárias e uterinas) extras. Sabia que aquilo era ilegal, mas não quis ficar batendo boca com a atendente. No dia seguinte fiz uma reclamação na auditoria do plano e me foi passado o código do procedimento para ultrassonografia obstétrica para gestação múltipla, que cobre o exame para qualquer número de fetos. A clínica tomou uma advertência e devolveu o cheque na mesma hora”.

Leia também:seus direitos junto ao plano de saúde na gestação e na hora do parto

Marina* conta que já sofreu para fazer um raio-X dos trigêmeos. “A paciente seguinte quis ir embora porque eu estava tendo privilégios. Alegou que teria que intercalar o exame dos meus com os demais e que não teria paciência de esperar”.

 Férias

Mães de múltiplos sofrem preconceito e exigências exageradas em hotéis, segundo  a mãe de trigêmeos Jéssica*, Ela relatou que tem sofrido para conseguir se adequar às exigências de hotéis para tirar férias. Quando finalmente o casal conseguiu tirar uns dias para descansar em família, deparou-se com a exigência de um resort: “Os quartos acomodam apenas um casal com duas crianças, não permitem um casal com três crianças. Querem me obrigar a pagar por dois quartos!”, conta a mãe, deixando claro que o problema seria resolvido se tivessem a boa vontade de colocar mais um bercinho portátil no quarto do casal. Mesmo que uma das crianças durma na cama com os pais, os hotéis não permitem. Até para fazer uma simulação de valores em websites de alguns resorts, não é possível ter apenas apenas 2 adultos e 3 crianças.

O assédio negativo

Também mamãe de trigêmeos, Gabriela* afirma que o assédio das pessoas muitas vezes se transforma de algo positivo em algo muito negativo. “Eu respondo as perguntas que as pessoas me fazem com muita paciência, mas tem gente que me vê com trigêmeos e diz ‘credo, cruzes, coitada de você!’. Tem dias que não consigo nem empurrar os carrinhos dos meus filhos por 100 metros sem ser parada, interrogada e criticada”, reclama.

“Quando descobri a gravidez, fui a procura de obstetras. Dois foram sarcásticos, irônicos, grossos e desagradáveis inclusive um disse que eu iria ficar deformada pela gestação e deveria desistir da vaidade. Isso não é o que a gente espera ouvir de um profissional”, conta Júlia*.

 *os nomes verdadeiros das mães foram preservados a pedido das mesmas.

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3 comentários

  1. Patricia

    Realmente sofremos e muito.. e o pior é ouvir o seguinte. “Sei como é, meu filho vale por 2 ou por 3” Dá vontade de responder a altura mais me seguro.

    1. Michele Kaiser

      kkkkkk… eu tenho um post sobre isso, Patrícia! Dá uma lida e veja se concorda: http://ostrigemeosdamichele.com.br/2015/12/17/um-filho-nao-vale-por-tres/

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