Criança precisa lidar com a frustração

A criança quer um brinquedo. Os pais dizem que não. A criança insiste, mas os pais se mantêm firmes. A criança se joga no chão, berra, faz um fiasco, faz birra… Os pais cedem para não passarem vergonha. Quantas vezes você já viu esta cena?

Não, não é fácil dizer não a uma criança. Seja por causa da fofura de seus olhinhos pidões ou por causa da vergonha que estamos passando no momento que ela se atira no chão do supermercado, geralmente acabamos cedendo à sua vontade e o comportamento se repete.

Ao dizermos não e, depois de um pouco de insistência, dizermos sim, ensinamos à eles que não devem confiar na nossa primeira resposta, uma vez que abrimos espaço para este tipo de comportamento. Mas precisamos ensiná-las a lidar com os “nãos” da vida. Precisamos ensiná-las que não terão tudo que querem como querem na hora que querem e a vida não vai ensinar com o mesmo amor. Com muito carinho, precisamos ensinar a elas a lidar com pequenas doses de frustração desde a infância para aprenderem a ser adultos mais compreensivos.

Lidar com a frustração

Ter quatro filhos me mostrou como isto pode ser difícil. Aqui em casa, as crianças precisam ganhar “não” mais frequentemente. Primeiramente porque não conseguimos sustentar financeiramente todas as suas vontades (e precisamos ensinar valores!). Em segundo lugar, porque ao dizer sim para um filho, posso estar consequentemente dizendo não ao outro, uma vez que eles têm vontades diferentes. Meus filhos aprenderam desde cedo a negociar, a respeitar o espaço do irmão e a aceitar quando sua vontade está sendo vencida.

E isto causa frustração? Muita! Mas desde quando frustrar-se é ruim?

A frustração tem papel muito importante no desenvolvimento psicológico de cada indivíduo. Uma criança que ganha sempre tudo o que quer pode transformar-se em um adulto com crises emocionais frequentes ou eternamente insatisfeito com a vida.

Há alguns dias, postei sobre a evolução que Murilo e Matheus vêm tendo na aula de natação. A piscina é dividida em três níveis. As crianças iniciantes ficam em um espaço; as que estão um pouco mais avançadas em outro; e as ainda mais avançadas ficam em um terceiro espaço. Mônica já está neste terceiro espaço (pois faz natação há mais tempo), enquanto os meninos permaneciam no iniciante. Mas há cerca de 10 dias, os professores julgaram que Matheus e Murilo já poderiam participar do nível intermediário, e me perguntaram o que eu achava se eles evoluíssem e Marcelo continuasse no iniciante.

Marcelo ainda está receoso com a água (mesmo depois de um bom tempo natação) e não tem muita coragem para nadar sozinho, bater as pernas, soltar-se da professora. Não tem muita confiança. Eu disse que não tinha problema algum ele continuar no iniciante. Na minha visão, não devo frear a evolução dos outros dois porque um dos meninos está aprendendo mais lentamente. Cada um tem seu tempo. Não vou deixar de ficar feliz pela conquista de Murilo e Matheus porque Marcelo não os acompanhou.

Talvez por já conviver com outras três crianças desde que nasceu, Marcelo não ficou chateado. Pelo contrário, gostou de ficar ainda mais próximo da profe (já que diminuiu o número de alunos naquele espaço). Mas se tivesse ficado chateado, paciência! Ele precisaria entender que as coisas nem sempre são como queremos. E se ele quer evoluir e voltar a ficar no mesmo espaço que seus irmãos, precisa se esforçar um pouco mais.

lidar com a frustração

No geral, aqui em casa é assim. Todos querem a mesma coisa na mesma hora, ninguém ganha. Claro que tem birra, manha e choradeira, porém, a lição é que precisam negociar entre eles e aprender a ceder para que todos tenham a sua vez. Decepcionar-se faz parte. Frustrar-se faz parte da vida em sociedade. Estamos trabalhando a inteligência emocional para criarmos crianças felizes que, com esperança, se tornarão adultos mais felizes e bem resolvidos emocionalmente.

Até mais!

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