A fase das mordidas: o que fazer

Essa fase das mordidas… Sempre que ouvia falar sobre crianças que mordiam os coleguinhas nas escolinhas eu ficava indignada com os pais e com as professoras. Pensava que os pais não estavam dando educação a eles e que as professoras e monitoras não estavam prestando atenção direito e “permitiam” que a mordida acontecesse. “Ah, se fosse com um filho meu…”, pensava.

Aí a vida me deu três meninos, trigêmeos. E quem mordeu fui eu, mas, nesse caso, o que mordi foi a língua. Meus meninos estão na fase das mordidas, e eu não posso nem ficar braba com os pais e nem com as professoras! Onde já se viu um negócio desses?

A maldita fase das mordidas

fase das mordidas

Marcelo foi vítima do Murilo

Marcelo e Murilo vivem brigando e se “implicando”. Um passa do lado do outro, que olha e espia pelo canto do olho, já estudando como dar o “bote”. Eles se agarram pela roupa (tipo judô), e metem a mão um na cara do outro. Aí rolam as mordidas. E nem eu, nem meu marido, nem a babá dão conta de chegar a tempo e impedir que aconteça. Já se morderam na bochecha, no braço e em todos os mini dedinhos!

Apesar de o Matheus não se meter muito nas brigas, às vezes sobra pra ele também. Ele é mais da paz, mas quando quer um celular ou outro eletrônico ou o controle remoto que está na mão dos outros, a briga rola solta. Mesmo debaixo do meu nariz, não tenho conseguido impedir que se mordam.

Por que eles se mordem?

Dizem que a mordida é uma forma de a criança se comunicar na fase oral (do nascimento aos dois anos) em situações de estresse. Como elas ainda não falam com fluência, se utilizam da linguagem corporal através de mordidas, chutes, tapas, puxões de cabelo, etc. para testar o efeito e ver se conseguem o que querem. Também fazem isso através das birras.

O que fazer quando se mordem

A reação da mãe, pai ou cuidador é que vai determinar se as mordidas continuam ou não. Por isso é papel dos adultos conversar e explicar, mostrar que está agindo de maneira errada e corrigir o comportamento o mais cedo possível. Ou seja, tão logo a primeira mordida for dada.

E quando o seu filho é que sofre a mordida? Nesse caso eu sou a mãe do “mordedor” e do “mordido”. Mais uma vez é necessário corrigir logo a atitude, porque aquele que é a vítima se espelha no modelo e passa a morder também. Mas se acontece em crianças em escolinhas, é importante o diálogo entre as famílias junto com as crianças para incentivar as regras da boa convivência. Deve-se explicar a ambos que a mordida não é uma opção. Não esquecendo que os adultos somos nós e que não podemos agir de forma infantil se uma criança menor de 2 anos está mordendo alguém. Seja nosso filho o agressor ou a vítima, não devemos, jamais, incentivar que nosso filho revide.

Voltando a falar dos meus filhos, sinto que tenho bastante trabalho pela frente e precisarei de paciência. Quando vejo que vão se bater ou morder, preciso me lembrar de intervir de maneira calma e assertiva. Claro que eles também brincam, dão risada e fazem carinho uns nos outros. Estamos ensinando a serem mais amorosos.

fase das mordidas

Matheus fazendo manha.

Se eu tivesse só um filho menino e esse filho fosse o Matheus, eu ia dizer que meninos são meigos, alegres, dengosos e chorões. Se fosse o Marcelo, diria que meninos são doidinhos, estabanados, independentes e eufóricos. Se fosse o Murilo, ia dizer que são exigentes, brigões, mandões, mas muito carinhosos.

Todos tão diferentes, mas criados de maneira exatamente igual. Será que todos passarão pela fase difícil dos dois anos, os terrible twos, da mesma maneira? Até mais!

9 comentários

  1. Patricia

    Ah mordidas são sempre tão dificeis de lidar! O Luca já chegou em casa duas vezes mordido, uma no rosto e outra no braço, mas ele é do tipo tranquilo, calmo, dengoso, ele se defende para ninguem pegar o brinquedo dele, mas toma mordida, só que não devolve, não tem instinto de morder, bater, e isso as vezes deixa a gnt possesso, mas por outro lado feliz por ele não revidar dessa forma. Uma das crianças que mordeu fez isso com todos na escola, aí qdo tomou uma mordida parou pq viu q doía. A fase passa mas parece que nosso coração foi mordido junto né… Em casa colocamos de castigo sentadinho quando faz algo errado e ele já entende, talvez isso funcione por aí! Bjs

    1. Michele Kaiser

      Que coisa, né? Só sentindo na pele para pararem de fazer. Não sei se o cantinho do pensamento funcionaria por aqui, mas vale a tentativa. Um beijo!

  2. veralucia faé

    Esses meninos maravilhosos vão desafiar os pais todos os dias, paciência e ação e reação na hora certa, tudo sairá a contento. Te amo Michele.

    1. Michele Kaiser

      Obrigada pelo apoio, tia! Um beijo.

  3. Alice Claussen

    Socorro Michelle, meus trigêmeos não param de se morder! Eles estão com 1 ano e 1 mês e o caos se instalou aqui em casa. Lucas que é o mais tranquilo está com o bracinho todo marcado! Davi morde quando briga e morde tb por ganinha, sabe? Tipo aquela vontade que a gente tem de morder algo muito fofo. Ou seja se mordem quando se amam e se mordem quando se odeiam. Já tentei falar, brigar, dizer não, separar, dar o mordedor. Não sei mais o que fazer. A fase dos seus já passou? Tem alguma dica pra me dar? Preciso muito de ajuda… Beijos!!

    1. Michele Kaiser

      Ai, meninos sapecas! Infelizmente aqui ainda se mordem bastante, mas como já estão com quase dois anos, já melhorou bastante. Agora eles entendem mais, não fazem tanto. Eu acho que é uma fase mesmo e temos que esperar passar, infelizmente. Beijos!

  4. Bruna

    ai essa fase chegou cedo aqui em casa, o bebe d 1 ano e 4 meses deu pra morder, beliscar, bater e puxar o cabelo do irmao de 8 anos. ta tenso pq o outro nao revida, claro, nao ha brigas, o pequeno acha legal, ri e acha q e brincadeira, ta dificil conter ele, quando explico q nao pode e ele insiste dai seguro ele e ele chora affs, socorro

    1. Michele Kaiser

      Que bom que a fase passa, mas como a gente sofre. A gente é mãe do mordedor e do mordido e acaba sem saber como reagir e como lidar com a situação. Beijos e força aí.

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