Gestação de 1 x Gestação de 3

grávida de 33 semanas

Meus dois ensaios de gestante foram com 33 semanas.

Gravidez muda o corpo, o humor, as vontades e até nosso paladar. Para algumas mulheres, causa enjoo, perda de cabelo, azia, inchaço. Mas pode trazer benefícios como cabelos mais fortes, unhas mais bonitas, sem esquecer, é claro, daquele brilho no olhar da maioria das gestantes, que mostra a felicidade em ter no ventre aquele ser que mudará toda sua vida.

Estive grávida duas vezes e, como a maioria das mulheres que passaram pela gravidez mais de uma vez, as minhas foram muito diferentes uma da outra. Quando eu esperava a Mônica, depois de quase dois anos tentando engravidar, tive sangramento logo nas primeiras semanas. Aconteceu três vezes entre 8 e 10 semanas de gestação e nas três vezes eu corri para o plantão do hospital. Me indicaram repouso até as 12 semanas, quando eu estaria entrando para o segundo trimestre da gestação. Obedeci a recomendação médica e não tive intercorrências dali em diante. Não tive um enjoo sequer. Apenas azia a partir das 32 semanas (que amenizava se eu tomava sorvete de baunilha!).

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Chá de fraldas, grávida de 31 semanas.

Descobri que esperava uma menina quando fiz o ultrassom de 12 semanas. Depois desse, fiz ultrassom de novo só com 23 semanas e o último com 35 semanas. Fiz curso de gestante quando estava de 24 semanas, fiz chá de fraldas com 31 semanas. Quando estava de 38 semanas e dois dias, percebi que ela não estava se mexendo na minha barriga. Tinha consulta marcada para aquele dia. Cheguei ao consultório e relatei o fato. A obstetra me encaminhou para o hospital para um exame chamado MAP, que monitora os movimentos do bebê por cerca de uma hora. Fiquei 20 minutos deitada monitorando se a Mônica mexia e não mexeu. A enfermeira apertou uma buzina para “acordá-la” e ela mexeu-se freneticamente durante o resto do exame. Ufa, pensei. Achei que era um sinal de que estava tudo bem. Estava enganada. Era sinal de sofrimento fetal.

Voltei ao consultório às 17h com o resultado do exame e minha obstetra ligou imediatamente para o hospital para marcar uma cesárea de emergência. Liguei para meu marido, que estava no trabalho, e quando ouvi a voz dele eu só consegui chorar. Quase engasguei. A obstetra pegou o telefone e explicou para ele que o parto aconteceria às 19h30. Ele saiu voando e me buscou em dez minutos. Fomos para casa buscar a malinha da maternidade, que estava pronta há alguns dias, tomei banho e fomos para o hospital.

Mônica nasceu de cesárea às 19h57 do dia 4 de agosto de 2011. Tinha duas voltas de cordão umbilical em seu pescoço e, para meu espanto, muito pouco líquido amniótico. A bolsa devia ter rompido em local alto e eu vinha perdendo líquido sem perceber. A alimentação dela estava escassa pois ela nasceu com 2,545kg – apenas 200 gramas a mais do que a estimativa na minha última ultrassonografia com 35 semanas. Deveria ter ganhado, ali no fim, cerca de 250 gramas por semana. Mas, no final, tudo deu certo! Eu consegui amamentar logo e ela ganhou 1,5kg no primeiro mês de vida!

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Mônica com 3 meses.

Quando ela tinha 1 ano e seis meses, eu engravidei dos meninos. Mas o beta HCG (exame de sangue que pode confirmar a gestação) não apresentou números muito elevados, como dizem que acontece quando se espera múltiplos, então não desconfiamos que pudesse ser mais do que um bebê. Mas logo no início, os sintomas apareceram. Sentia cheiros fortes, sentia enjoo e muita falta de ar, coisa que eu só percebi bem no final da primeira gravidez. De manhã eu só conseguia tomar isotônico. Minha alimentação foi uma loucura até as 14 semanas, quando os enjoos finalmente passaram.

Eu descobri que esperava gêmeos bivitelinos com 6 semanas e que eram trigêmeos plurivitelinos (dois univitelinos e um bivitelino) com 8 semanas. Com 13 semanas nós fizemos a ultrassonografia da Translucência Nucal (TN) para ver a possibilidade de alguma síndrome e, naquele momento, o médico desconfiou que pudesse estar ocorrendo a Síndrome da Tranfusão Feto-fetal entre meus gêmeos idênticos. Foi tão chocante e assustador que nem deu para curtir a descoberta dos sexos. Descobrimos nesse dia que seriam três meninos.

Desde então, passamos a fazer ultrassom a cada 15 dias. Quando estava de 22 semanas o médico pôde me dar certeza de que foi alarme falso, afinal, os meninos vinham se desenvolvendo perfeitamente com a mesma proporção. Acompanhamos até as 31 semanas. Com 32 semanas, passei uma noite inteira gemendo de dor nas costas. Pensei que era um mal-estar normal porque estava muito pesada, mas por sorte tinha consulta com a obstetra na manhã seguinte. Ela me encaminhou ao hospital pensando ser uma infecção urinária. Depois de fazer exames foi possível descobrir que eu estava tendo um inchaço no rim direito. A urina que o rim já havia filtrado e enviado à bexiga estava refluindo ao rim e causando aumento no órgão. Tudo porque eu tinha três bebês espremidos dentro de mim. O tratamento para o problema era tirar os bebês dali! Mas tanto eu como a obstetra queríamos que eles ficassem lá dentro mais algumas semanas. Passei três dias internada com medicação para dor na veia. Fui liberada para ir para casa e, quando estava de 34 semanas, a obstetra viu que meu colo do útero estava muito curto e, no exame do toque, pôde sentir a cabeça do Matheus. Conseguimos vagas na UTI neonatal e agendamos o parto, com medo de dar alguma intercorrência. Os meninos nasceram no dia 4 de outubro de 2013, com cerca de 2 quilos cada um. Ficaram 15 dias no hospital e vieram para casa.

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Dia do nascimento dos trigêmeos. Saindo de casa para o hospital.

Eu não tive nenhum sangramento na segunda gravidez e tive vários na primeira. Tomei progesterona sintética nas duas gestações (descobrimos que tenho deficiência desse hormônio). Fiz dois chás de fralda dos trigêmeos, um com 19 e outro com 21 semanas de gestação. Me sentia muito cansada o tempo todo. Com 20 semanas, parecia que eu estava grávida de 9 meses! Fiquei de repouso a partir das 25 semanas, não levantava para nada além de ir ao banheiro e comer. Comia pouco (porque não cabia muita comida), mas com muita frequência.

Não fiz cerclagem (pontos no colo do útero para aumentar as chances de manutenção da gravidez), a médica achou que eu estava bem. Tomei inibidor de contrações desde as 30 semanas de gravidez de trigêmeos. Como eu esperava três, minha obstetra aconselhou fazer injeção de corticoide para amadurecer os pulmões dos bebês quando eu estava com 28 semanas de gestação. Minha segunda gravidez foi rodeada de preocupações do início ao fim. Bem diferente da primeira, que foi muito curtida. Depois que a Mônica nasceu, eu sentia saudades da barriga. Já quando os trigêmeos nasceram, eu só sentia alívio. Também, pudera, acho que tive uma overdose.

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Matheus, Murilo e Marcelo com três meses.

Agora chega de gestações, né? Ao menos por enquanto, hehehe. Brincadeira, chega mesmo… Até mais!

15 comentários

  1. Mariane

    Adorei o post! Na segunda foto(indo p a maternidade ri muito, estavam de mala e cuia heheheh. Bjs

  2. Não vou me cansar de comentar em quase todos os posts o quanto eu te admiro por ser uma mãe “real”. Gosto muito da sua sinceridade com a vida materna e como passa isso pras nós, leitoras, sem frustrações, mesmo quando as coisas não são como você planejou!
    Gosto muito de todos os seus posts!

    Beijos na galerinha daí!

  3. patricia

    lindos todos vcs

    1. Michele Kaiser

      Obrigada, querida!

  4. Marisa

    Oi Michelle,
    Seus filhos são lindos, parabéns!
    Nossas crianças são presente de Deus e só alegram nossos dias mesmo!
    Beijos

  5. Apaixonada pelos seus posts! Você escreve de maneira muito real. Obrigada por dividir. Beijos!

    1. Michele Kaiser

      Obrigada pelo carinho! Um beijo!

  6. Aline

    Que loucura deve ter sido ne? Mas passa… tudo passa! E qts kg vc adquiriu nas gestações?

    1. Michele Kaiser

      Da Mônica eu engordei uns 14 ou 15, nem me lembro mais. Hehehe. Dos meninos foi 27kg… hehehe

  7. Otilia

    Tenho trigêmeos também.. Artur. Laís e Mariana.
    Fiz FIV.. . Ganhei eles em Porto Alegre.. Hospital Mãe de Deus. Anjos que iluminam minha vida…
    Há .. eu engordei 8, 100 kg.. Na gestação inteira… hihihihi.

    1. Michele Kaiser

      Maravilha! Eles nasceram de quantas semanas?

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